Poste aqui o comentário (até o dia 08) sobre O Bandido da Luz vermelha com base no texto do Ismail Xavier disponível no post anterior. Respondam às seguintes perguntas:
1) Descreva a sua reação e o que significou para você assitir ao filme O bandido da luz vermelha. Como ele se insere na sua experiência habitual de espectador de filmes?
2) Como o texto iluminou o filme para você? Cite os pontos mais interessantes do texto que te ajudaram a entender ou dar uma nova interpretação a aspectos do filme.
3) Faça uma pesquisa e justifique os motivos que levam o filme a ser considerado um clássico do cinema brasileiro.
4) Qual a idéia de Brasil que surge do filme? Ela é atual? Como ela pode ser utilizada para entermos aspectos da nossa realidade?
Não se esqueçam de me entregar também, na próxima aula, impresso, o projeto do evento de cada um dos dois grupos.
Boa semana a todos!
domingo, 5 de outubro de 2008
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8 comentários:
O bandido da luz vermelha
A primeira impressão foi de um filme “tosco”, mas o bandido da luz vermelha não é só isso, corrompeu valores, satirizou a política e a moral. Ao utilizar técnicas peculiares, desconcerta a polícia, sempre com uma lanterna de luz vermelha, ele domina a vitima e tem logos diálogos, protagonizando fugas ousadas para gastar o fruto do roubo de maneira extravagante.
O que fez o filme se tornar um clássico da época, foi a realidade da história e como ela foi contada. O misterioso assaltante de mansões luxuosas de São Paulo, apelidado pela imprensa de O bandido da luz vermelha. Esta obra pode ser considerada o cinema novo e a ruptura do marginal. Este filme gira em torno da alegoria do Brasil e sua história, nele presencia o universo urbano, sociedade de consumo e o lixo industrial gerado por essa sociedade. O lado político é explorado, assim aumenta a visão global do social.
A partir da produção industrial da cultura de massas, O bandido da luz vermelha, é inteiramente elaborado, inclusive em sua forma narrativa, permitindo a adequação da narrativa da obra ao lixo urbano da sociedade de consumo. O Brasil que aparece nesse filme é um país completamente distinto das alegorias do cinema-novistas.
Obs: não consegui abrir o texto, mas fiz o que eu entendi do filme.
Ingrid
Achei "grotesco" porém mostra a realidade de assassino em séie da massa. A qual com seu jeito doentio de andar livremente pelas ruas como se suas vítimas não fossem nada. A polícia por si começa uma caça interminável ao bandido. Os modos friamente como assassino age dentro das casas de suas vítimas, surpreende a polícia da forma como ele se comporta após suas barbaridades. Por ser um filme baseado em fatos reais foi um marco pro cinema brasileiro por ser marginal e retratar a realidade brasileira. Passa a imagem de um país com a justiça lenta o que ainda é atual. A idéia que se tem é que há loucos na sociedade e estamos sujeitos a sermos surpreendidos dentro de nossas próprias casas.
Greyce Kelly
O Bandido da Luz Vermelha
O filme o Bandido da Luz Vermelha de 1968. Sob a direção de Rogério Sganzerla, tendo Paulo Vilhaça e Helena Ignez como protagonistas centrais da trama.
Baseado em história real, conta a trajetória de um criminoso que assaltava casas de pessoas ricas da cidade de Santos em São Paulo. O bandido é conhecido como Bandido da Luz Vermelha por sempre usar uma lanterna vermelha durante seus assaltos.
O filme tem o gênero policial e conta como João Acácio sempre planejava seus assaltos de forma a ironizar a Polícia em todas as tentativas frustradas de capturar o marginal, que além de assaltar mantinha relação sexual com suas vítimas.
Mesmo com todas as suas fugas, no texto conta que ele ensaiava sua morte, vindo a morrer eletrocutado e o delegado que esteve sempre firme em sua cassada vem a morrer da mesma forma do bandido Jorge...”foi assim que eu ensaiei pra morrer”.
Gosto muito de cinema para mim assistir um filme feito em 1968 é muito prazeroso. Já ouvi falar do cinema marginal, mas não conhecia a verdadeira história do criminoso João Acácio Pereira da Costa... o famoso Bandido da Luz Vermelha.
A forma em que é feito o enquadramento e narrativa radiofonia tem um aspecto inovador para um Diretor tão jovem como Rogério Sganzerla de apenas 22 anos.
O filme além de descrever os atos do criminoso “Jorge” mostra o evidente envolvimento com políticos, parece muito com a nossa realidade hoje.
O filme é considerado um clássico devido ser representante do Cinema Novo. E trás em seu contexto a realidade brasileira, e ao mesmo tempo lembra muito filmes de faroeste por conta das perseguições, suas fotos espalhadas na cidade, sua procura dá esse toque do anti-herói, sendo um dos bandidos mais procurados da época.
Nos dias de hoje temos bandidos muitos parecidos com o bandido do filme, que é transformado em uma verdadeira estrela de cinema, que é transferido de cadeia pra cadeia de jatinho particular com toda segurança, conhece o sistema e suas falhas mandam e desmandam em autoridades cíveis e militares, é mantêm o controle de muito pescoço político, ditam a realidade brasileira.
Curiosidade
Em 30 de novembro de 2007, o Diário de Natal traz o lançamento do filme em DVD, em sua nova edição vem recheados de cenas inéditas capturas de Arquivos pessoais dos envolvidos na trama.
Nélia Rodrigues
Um filme que conversa (ou pelo menos tenta) com a realidade de um possível “Terceiro Mundo”. Como boa espectadora, não carreguei comigo preconceitos ou rotulações ao conceber o filme. Procurei ficar atenta aos detalhes diluídos nas falas de dois locutores que “apresentavam” o enredo. Os quais me confundiram, em vários momentos quanto à sua contribuição sonora. Dúvida esclarecida graças ao texto que, se não me explicou, pelo menos chegou perto quando diz
“A quem se refere, então, a dicotomia- ao cineasta? Ao protagonista? De quem é essa voz ainda incorpórea da abertura?”
Um “filme de cinema”. Pra mim, é a expressão exata que demarca a plástica do Cinema Marginal no filme em questão. Antagônico ao Cinema Novo, ambos, “financiados” pela censura do Estado, encontravam as mesmas dificuldades de publicação, produção e censura.
A diferença está na estética particular à cada um. O Cinema Marginal partia pro confronto desprezando a censura e o mercado, enquanto o Cinema Novo apelava para a infiltração, preocupada sempre com a industria cultural.
É caracterizado como um clássico do Cinema Marginal pelo individualismo do protagonista. Marca predominante da rivalidade do Cinema Marginal com o Cinema Novo.O último sempre representa em seu enredo a classe social burguesa.
Concluo, pela breve pesquisa sobre o Cinema Marginal, o Filme exibido em sala e as considerações muito bem redigidas no texto sugerido, que o filme traz à tona de maneira nada sutil, uma cutucada surpresa. Rogério Sganzerla insere sua obra na conjuntura política sem nostalgia ou saudosismo provocando o espectador. E quem provoca, espera reação. Mesmo que particular, acho inevitável assistir a esse filme sem refletir sobre qualquer processo social que o envolva.
por Nayara Young
Bandido da Luz Vermelha
Um retratou de uma maneira descontraída, um bandido que aterrorizou o Brasil. Uma muito legal do filme é ter feito muitas imagens em movimento, e cortes de câmeras que deixaram o filme apesar de ser longo, se tornar prazeroso de ver.
Apesar de o assassino ser um serial killer brutal, o autor conseguiu fazer com que a imagem do protagonista não ficasse tão pesada para o público. As várias cenas que o próprio bandido da luz vermelha conta os seus dramas familiares, justificando assim muitas das suas atitudes demonstra um lado humano de um assassino.
A forma da narrativa no filme também me chamou atenção, por várias vezes engraçada, despertava sempre um interesse pela continuação da história, apesar do filme ser antigo, com certeza ele foi muito bem produzido, conduzindo sempre o público até o seu final.
Eric Cavalcante
O filme O bandido da luz vermelha é diferente de tudo que eu já tinha visto. Logo de cara o professor (você mesmo) já nos alertou das possíveis “sensações” que teríamos ao ver o longa.
O que posso dizer? Sganzerla é um cara inteligente! Digo inteligente porque ele fez um filme repleto de significado, com uma riqueza de detalhes que passa despercebida aos olhos de nós, reles mortais. Porém, preciso admitir que se tenho uma opinião construída a respeito do filme, não devo isso ao Sganzerla, mas ao Ismail Xavier. Esse sim é cabeção! Praticamente passou pro papel cada emoção do filme! Fiquei impressionada ao ler o texto e compreender várias coisas nas quais não havia pensado enquanto via o filme. Isso mostra o quanto estamos habituados ao previsível. Esperamos sempre por filmes “Hollywoodianos”, com histórias aparentemente diferentes, mas no fundo muito iguais, e com desfechos já esperados.
Enfim! De uma forma bem resumida, a reação que tive ao ver aquelas cenas meio confusas, ou, como bem diz Xavier, sem encadeamento, foi de completo estranhamento. “O bandido da luz vermelha” não segue o padrão aceito pela sociedade de uma forma geral, e por isso quem não tiver uma mente bem aberta e um bom senso crítico, provavelmente vai sair insatisfeito. Não digo insatisfeita, mas saí da sala de aula me sentindo meio ignorante. Incapaz de decifrar a mensagem de Sganzerla.
Algumas coisas eu compreendi, e confirmei no texto, como a composição do “clichê do menor abandonado na escola de bandidos dos espaços abertos da periferia” (p.73). Esse aspecto eu notei durante o filme, pois as imagens dos meninos no lixo, fingindo que estavam atirando, correndo, eram intercaladas com imagens do bandido, ao passo que sua voz fazia narrações da vida. Essa seqüência por si só, já demonstra bem a marginalidade de crianças e adolescentes nas favelas, que acabam por viver fora da lei quando crescem. Além disso, uma declaração do bandido serve como pré-requisito de análise de comportamento dele: o fato de sua mãe ter tentado abortá-lo. Só nesse início pode-se observar que ele tinha uns desvios psicológicos. Não que isso justifique alguma coisa, socialmente falando.
Outro ponto interessante do texto, que me ajudou na compreensão do filme, foi a citação dos traços característicos do filme, a saber: “Fragmentação, descontinuidade, farto comentário sonoro e citações” (p.75). Eu não precisava de um texto de mais de trinta páginas para notar isso no filme, mas a leitura serviu bem para desfazer uma idéia que eu havia feito a respeito da técnica e dos métodos do autor: eu estava considerando tudo isso fruto do amadorismo. Mas não. Xavier explica que esses fatores são características do filme, e que são propositais. Trata-se de descentramento da narrativa. O que apesar de confuso eu achei construtivo, pois nos força a prestar mais atenção e também a raciocinar mais, o que não precisamos fazer muito assistindo uma comédia norte-americana, por exemplo.
O próprio gênero do filme eu desconhecia...filmes marginais né?!?
Xavier também confronta algumas realidades, como pobreza-violência, bandido urbano e bandido rural. É uma análise interessante.
Em se tratando de realidade, o filme retrata sim um cenário brasileiro. Até porque logo no início do filme uma voz fala de Terceiro Mundo. O que me veio logo à cabeça foi a idéia de violência urbana, pobreza, miséria, entre outras coisas. O que foi mostrado não foi o país das belezas naturais, embora haja muitas cenas cujo cenário é abençoado pela natureza.
O que vejo é o país dos escândalos! O fato de a história do bandido da luz vermelha ser verídica traz isso. E o filme denuncia tudo isso. Há uma análise do personagem, mas há também uma mensagem a ser passada.
Mas, se há uma coisa que merece destaque, é o humor presente nas cenas. Não vou mentir, em alguns momentos senti que algumas cenas eram pra ser engraçadas e eu não ri. Tudo bem, não entendi mesmo. Assumo, ué. Quem nunca deixou uma piada passar batido?!? (rsrs)
Só que de uma forma geral achei o filme engraçado sim. Especialmente por parte dos narradores. Eles eram ótimos! A entonação deu o toque...e é difícil explicar esse toque! Tem um quê de deboche com um misto de sensacionalismo e drama. Muito bom!
Os motivos que levam o filme a ser considerado um clássico brasileiro?? Olha, se me perguntassem isso eu não saberia responder não...mas, me aprofundei um pouco e achei: Venceu nas categorias de melhor figurino, melhor diretor, melhor montagem e melhor filme.
Se eu daria esses prêmios a esse filme? Difícil dizer. Não estou apta. Mas a crítica afirma: é um filme inovador. Quem sou eu pra discordar? Ele é mesmo. O filme retrata bem a realidade do Brasil naquele tempo, satiriza a política, a moral, a polícia, e, opinião minha (não sei se estou certa), até a imprensa.
Na hora fiquei meio tonta, e até entediada em alguns momentos, mas agora, após ter lido o texto de Xavier, posso dizer que gostei. Já sei! Essa não é uma boa crítica né? Não pode só dizer que gostou...mas dessa vez eu passo a bola...
Folha de São Paulo, 09/01/04, por José Geraldo Couto: “Colagem de linguagens e referências, orquestradas por uma magnífica montagem de inspiração plástica e musical, é uma obra ao mesmo tempo popular e de vanguarda, uma obra-prima que não pára de nos maravilhar”.
É isso aí...
O filme é meio estranho à primeira vista. Pela sua complexidade, pode não prender muito a atenção. Não me senti muito atraída pelo filme, mas pode ser que tenha sido pelo costume de assistir a filmes bem diferentes.
Mas ao ler o texto, tive um entendimento melhor sobre a mensagem do filme. O texto é bem detalhado e explica tudo em miúdos. Trata não só da estética do filme, mas do contexto histórico e social em que ele se insere.
Tudo se passa no Brasil. Num lugar que é conhecido como “Boca do lixo”. Jorge é um assaltante, estuprador, assassino, um bandido. Parece não estar nem aí pra vida, já tentara se matar, e vivia solto, sem firmar laços (o mais próximo que ele já chegou disso foi o namoro com Janete), perturbado pelo passado na favela e pela descoberta de que sua mãe tentara abortá-lo.
Levando isso para a realidade, dá para ver muitas características do Brasil, um país de “Terceiro Mundo”. A favela, a pobreza, as crianças abandonadas e sem oportunidades na vida, a violência.
As cenas do filme não seguem uma única linha, e tudo parece um quebra-cabeças. A narração é super engraçada e trata com cinismo assuntos como governo, pobreza, segurança pública, educação, etc. E isso tudo é realmente um quadro bem brasileiro.
Esse filme é de difícil entendimento, mas foi bom poder ver algo diferente: Foi um desafio.
Além de tudo, O bandido da luz vermelha foi um grande marco em relação a crimes no Brasil, pois é uma história real. E essa história, ao ser levada pro cinema, se tornou um marco na história dos filmes marginais, com vários prêmios conquistados. É uma obra inusitada. E talvez pela forma com que dispôs temas da realidade brasileira, mereceu tanto destaque.
Luciana Ramiro
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