Postem aqui os comentários dos dois textos sobre o Frank Sinatra (quem já o fez no post anterior, tudo bem)
Como bônus, aí vai uma musiquinha sobre o "the voice"
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
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Blog da disciplina Jornalismo Especializado: Esportes, Cultura e Variedades da faculdade Unicesp. E-mail: henrique.froes@gmail.com
7 comentários:
Recorrente à época em que jornalismo tinha uma destreza, um esmero na preparação de uma entrevista, o autor do texto "Como não entrevistar Frank Sinatra" revela-se entristecido com técnicas de entrevistas resultantes de um mundo globalizado, tecnológico e sobretudo otimizador do tempo.
Como já fora entrevistado por escritores munidos de gravadores, o autor relata sua decepção quanto a um trabalho que seria "a fina arte de escrever para revistas à mera transcrição, para o papel, de entrevistas radiofônicas", ou seja, o que antes era uma arte de escrever, hoje limita-se a transcrições por parte de jornalistas regidos pelo tempo.
O texto se presta a criticar, até certo ponto, a redução do entrevistador, outrora considerado um pesquisador de campo, à digitador de declarações alheias, tendo como papel principal o trabalho de colocar aspas em declarações gravadas.
Outro fato que o autor coloca no texto é a utilização do gravador em entrevistas. Para ele, o gravador tira a espontaneidade do entrevistado, sugerindo uma conversa informal para tirar do entrevistado declarações consideradas mais valiosas quando o jornalista é colocado quase como o confidente do entrevistado. O jornalista não deve colocar-se como mero redator, deve entender o entrevistado, o acompanhar, para não apenas transcrever o que foi dito.
O autor acredita na entrevista como sendo um diálogo de onde se extrai uma reflexão abrangente, uma super-exposição do entrevistado caso o deixe a vontade. No texto, apresenta-se um jornalismo de entrevistas não necessariamente diretas, com a personalidade, mas de um apanhado de informações acerca do entrevistado. Um método chamado de “New journalism” quando a precisão da fala não era o mais importante em uma entrevista, mas todo o envolvimento com descrições de cenas, opiniões de pessoas próximas, enfim, tudo o que for possível captar sobre o entrevistado que não saia exclusivamente de sua boca.
Segundo o autor, esmiuçar a vida por meio de outras fontes que não o próprio entrevistado, é uma maneira valiosa para revelá-lo, as vezes mais importante que uma entrevista exclusiva. Apesar de ser um método dispendioso, que requer tempo e dedicação por parte do repórter, pode ser mais atrativo que um exclusiva. Esse método é que pode fazer a diferença no jornalismo “radiofônico” atual.
“Frank Sinatra está resfriado” é uma narrativa descritiva do autor em relação a vida do próprio Sinatra. Numa tentativa frustrada de entrevistá-lo, o autor recorre à observação para fazer muito mais que uma entrevista que, em parte, se limitaria a ouvir somente o que Sinatra falaria. Ao contrário, o jornalista passa a observar sobremaneira todos os passos da estrela, a freqüentar os lugares que Frank esteve e obter declarações de pessoas que o conheciam ou pelo menos pensavam conhecer.
O autor se vale de uma percepção afinada para depor a favor da formação do perfil de Sinatra. Além de entender e saber ler cada gesto, expressão corporal do artista e transmiti-los a ponto de fazer desta investida mais que uma simples entrevista. Sua melhor entrevista.
O texto deixa claro o perfil de Sinatra após esmiuçar sua vida e revelar atitudes inimaginadas do cantor. Revela-se nesse perfil, um ser ao mesmo tempo inatingível como uma pessoa, as vezes comum. Um ser especial, astuto, inteligente, superior, quase sobre-humano (se já não o é).
a construção do perfil se faz de modo inquestionável por ser tão bem elaborada, só podendo vir de um comunicador que encontrou nesse “novo gênero de entrevista”, o modo talvez mais completo e promissor de revelar uma celebridade que não se mistura e não se revela aos demais. O autor faz isso de forma a amenizar algumas características gritantes ou reforçar algumas que sempre passaram imperceptíveis. Há o reforço da imagem de Sinatra, de suas relações familiares, amorosas, entre amigos e de sua postura no palco. Tudo feito por meio da observação, sem dirigir ao entrevistado uma única palavra.
Essa construção de perfil tão completo e minucioso talvez não fosse revelado e se tornado tão atrativo caso o autor tivesse centralizado seus esforços somente na entrevista com o próprio Sinatra e que nesse caso não teria conseguido. Ao contrário, tornam-se tão curiosas as revelações pelo fato de o jornalista ter se inserido no ambiente do próprio Sinatra, sem deturpar a realidade, caso tivesse conseguido a entrevista com o próprio e ter tirado deles revelações não tão atrativas.
O autor ainda frequenta os lugares nos quais o astro esteve e narra, detalhadamente, conversas, situações, ambientes e pessoas que se aproximaram de Sinatra. Cita ainda relacionamentos amorosos que poderiam nunca serem revelados pelo artista e conta possíveis desventuras e desentendimentos na relação pai e filho, o que poderia nunca ter sido perguntado foi revelado.
Ao perceber uma personalidade astuta, o próprio jornalista se torna audacioso a tal ponto de conseguir revelar um Sinatra que jamais se permitiria caso conseguisse a entrevista.
“Frank Sinatra está resfriado” e “Como não entrevistar Frank Sinatra”
Os textos falam como é sua vida pessoal e profissional. O fato de está resfriado afeta seu emocional, sua voz. Frank é um bom amigo, sempre companheiro,todos que estavam ao seu redor eram fiéis, ele era dono de um grande poder sob seus amigos, funcionários e seus fãs, pode fazer tudo que desejar, porque tinha dinheiro. Onde quer que ele esteje ele contamina o ambiente, tira das pessoas o que elas tem de melhor ou pior. Mas ele não era tão bonzinho, uma atitude de impulso ele jogou katchup em um dos seus homens, por não gostar de katchup. Mesmo ele fazendo de tudo por seus homens, acho que ele era muito arrogante e que as vezes pisava nas pessoas pelo seu poder.
Ele foi casado com Nancy, com quem teve 3 filhos, Nancy a mais velha,que sempre o acompanhava, Frank Jr que me pareceu revoltado com o pai pelo fato dele ser tirado circulo familiar quando foi estudar fora, e Tina sua filha mais nova. Casou-se também com Ava com quem viveu dois anos.
Sua mãe Dolly, não era uma mãe que passava a mão em sua cabeça, mas exigia muito dele, queria que fosse engenheiro, mas o apoiou quando ele decidiu ser cantor.
Começou a cantar de graça em emissoras de rádio em Nova York onde divulgou seu trabalho, trabalhou na para a banda de Harry James onde gravou seu primeiro sucesso.
O texto também fala de como foram o meio século de sua vida, suas viagens, farras e que apesar de ser tudo, ele era uma pessoa normal, que tinha seus momentos de amor, de alegria e seus momentos de fúria. Vi que Sinatra fazia de seus homens sua família, sempre por perto no café, almoço e jantar.
Como não entrevistar Frank Sinatra, um jornalista que teme assustar o entrevistado com seu gravador, era mais prático, naquela época eles passavam semanas para apurar seu trabalho. O editor de onde trabalhava o enviou para uma entrevista com Frank Sinatra, a entrevista foi marcada, mais por vários motivos como o suposto envolvimento com a máfia e seu resfriado foi desmarcada. Mais mesmo com a entrevista que não acontecia o repórter o acompanhou em vários lugares, colhendo varias anotações para sua reportagem. Ele teve uma percepção de que as pessoas trabalhavam distantes umas das outras e que estavam próximas pelo fato de Sinatra está resfriado.
O que importa para esse jornalista não é só a entrevista, mais a relação de confitente que ele tem com entrevistado, acompanhando e ouvindo com atenção os fatos.
Ingrid
3° matutino
Em outro momento em que jornalismo se fazia com um bloco de papel adequado, ou seja, pautado, para a preparação de uma entrevista, o autor do texto "Como não entrevistar Frank Sinatra" mostra-se saudosista diante das novas técnicas de preparar uma entrevistas, principalmente com os modernos equipamentos que sem sombra de dúvidas otimiza do tempo e agiliza o envio da informação.
Diante de já ter sido entrevistado por profissionais munidos de equipamentos modernos, como um gravador, o escritor se mostra decepcionado sobre determinado trabalho que seria "a fina arte de escrever para revistas à mera transcrição, para o papel, de entrevistas radiofônicas", ou seja, o que era arte de escrever, limita-se a transcrições por profissionais obviamente direcionados pelos novos equipamentos.
O que posso entender é que o referido autor deste texto presta-se a critica com relação , ao formato moderno de se realizar uma entrevista que segundo ele outrora considerado um pesquisador, passa a ser um mero digitador de declarações, tendo como papel principal o trabalho de colocar aspas em declarações gravadas. Ainda segundo o autor o gravador tira a espontaneidade do entrevistado.
O autor acredita em entrevista como um diálogo de onde se extrai uma reflexão abrangente, uma superexposição do entrevistado. O conteúdo do texto apresenta um jornalismo não necessariamente direto, mas de um apanhado de informações apenas. Segundo o autor, esmiuçar a vida por meio de outras fontes que não o próprio entrevistado, é uma maneira valiosa para revelá-lo, as vezes mais importante que uma entrevista exclusiva.
“Frank Sinatra está resfriado” é uma narrativa descritiva do autor do texto em relação à vida do próprio artista. Numa tentativa frustrada de entrevistá-lo, o autor recorre à observação para fazer muito mais que uma entrevista que, em parte, se limitaria a ouvir somente o que o entrevistado falaria.
O autor se vale de uma percepção afinada para depor a favor da formação do perfil de Sinatra. Além de entender e saber ler cada gesto, expressão corporal do artista e transmiti-los a ponto de fazer desta investida mais que uma simples entrevista.
O texto deixa claro o perfil de Sinatra após esmiuçar sua vida e revelar atitudes do cantor.
por Pâmela Bouillet
por Nayara Young
Lendo “Frank Sinatra está resfriado” e identificando a redação como um Perfil do artista pelo autor, não julgaria este tê-lo feito sem trocar uma palavra que seja com o filho de Dolly Sinatra. Um texto completo. Histórias do personagem, seus surtos de raiva, mulheres, filhos, o sucesso, o declínio. Detalhes muito bem apurados nas 3 semanas de pesquisa, resultante em um material de mais de 200 páginas de anotações.
As intempéries de Frank colocadas pelo autor são justificadas, por vezes, no seu passado. A figura de “magnata eletrizante” e “sobre-humano” fora incutida na sociedade acerca dessa personalidade sobrevivente do “pré-guerra”. Na concepção de Frank Jr.(22), filho mais velho de Sinatra, isso começou com a criação de um “Sinatra de press- release”. Continua, explicando que seu pai “é supranormal e não sobre-humano, mas supranormal.”
De personalidade forte e postura séria Frank Sinatra sempre esteve além de seu tempo. Como se vivesse em um mundo paralelo ao dos demais mortais. “Uma parte de Sinatra esteja onde ele estiver nunca está lá”, explica o autor do artigo, Gay Talese. Com sua mania peculiar de “enfiar” o passarinho em tudo que fala, esta se torna uma marca para o astro que brinca até durante suas canções, trocando partes da letra por “passarinho”.
Para quem não conhece esse ícone, o artigo de Talese é uma obra prima. Mostram os bastidores, pareceres individuais. Nada que afete a imagem de Sinatra, ferindo, talvez, apenas a privacidade, de forma sutil, caracterizando o fascinado e interesse do pesquisador por seu objeto de estudo. Refresca a mente dos que vêem Sinatra como um ídolo. Estes até atribuem certa responsabilidade a Frank pelos romances contraídos por intermédio da música dele. Amante, querido, requisitado, famoso, e como se não bastasse, inspiração para uma geração.
“Como não entrevistar Frank Sinatra”, segundo texto sugerido em sala de aula, é um aparente tutorial obrigatório para jornalistas refletirem antes de escreverem um Perfil. O texto esclarece algumas dúvidas quanto à apuração de uma entrevista. A relação entrevistador x entrevistado.
Apresenta uma situação atípica em que o entrevistador não encontra o entrevistado e mesmo assim apresenta um rico material sobre ele. “Embora eu não tenha tido a oportunidade de me sentar e conversar a sós com Frank Sinatra, essa circunstância talvez seja um dos pontos fortes do artigo”, diz Talese.
Claro que a execução desse trabalho com Sinatra se deu graças à credibilidade do Jornalista e também à disposição e compreensão financeira e temporal do veículo, neste caso, da revista Esquire.
A indústria invadiu também as empresas de periódicos. Hoje interpretam-se como matérias opinativas o conteúdo pessoal de quem a produz. O escritor está em casa, não vai mais a campo. Isso acontece pela falta de disponibilidade do veículo em esperar uma apuração requintada que hoje, não pode demandar mais do que um quinto do que fora necessário para a produção de “Frank Sinatra está resfriado”. Seria o fim do “New Jornalism”, esses trabalhos, frutos de garimpos que o escritor faz na sua própria lembrança?
“Frank Sinatra esta resfriado” é um texto onde retrata a verdadeira historia do
grande Sinatra, contando sua vida particular seja na área familiar e profissional.
Alem de detalhar um pouco de seu comportamento,um homem tão companheiro ,os que o acompanhavam ate diziam que o astro podia tudo ,sem saber que ele não era esse bom moço sempre.
Nesse texto o autor começa a “estudar” Frank Sinatra ,porque depois de uma entrevista praticamente frustrada, ele decidi fazer mais que uma entrevista e vai atrás de todos os passos de Sinatra assim consegue obter informações de algumas pessoas que o conhecia.
Com uma grande percepção o autor, consegue fazer um perfil positivo a grande estrela,pois melhor do que fazer uma simples entrevista com Frank , foi ter descoberto grandes mistérios desse grande astro.
Dentro do fatos ocorridos ele tinha uma mãe que o incentivava a ser um engenheiro, mais que o apoiou quando quis ser cantor,casou-se duas vezes,teve três filhos, seus primeiros trabalhos foram em uma emissora de NY, e foi lá onde tudo começou.
Já no texto “Como não entrevistar Frank Sinistra” o autor faz uma pequena critica ao , uso de gravadores onde se transcreve simplesmente o que foi gravado ou seja ele questiona o fato que todo entrevistado não fica a vontade perante a uma entrevista gravada, e para a entrevista não ficar informal, o redator precisa pelo menos se informar mais pelo entrevistado, e não passar só o que foi gravado.
O método “New journalism” é justamente isso quando o falar , não é mais o fato consideravel, e sim o ‘investigar ‘a vida por outros meios e fontes, assim revelando da mais simples entrevista em uma das mais importantes.
Raquel F.
Bons tempos
Difícil imaginar uma reportagem estilo perfil sem conversar com o protagonista da história. Nem foi preciso, de uma forma excelente o autor, de uma entrevista cancelada criou um dos melhores trabalhos que tive a oportunidade de ler. A visão dele é sensacional, de um verdadeiro jornalista que não desiste fácil e sempre procura mecanismo para concluir sua pauta com sucesso.
Depois de ler o perfil do Sinatra tive ainda mais a certeza que o jornalista nunca pode se limitar a um simples bate papo de duas horas, quantas histórias não foram descobertas depois de um cancelamento que não estava nos planos. Sem se preocupar com o tempo e observando não só o cantor mais o seu ambiente de reinado, quantos fatos a senhoria que cuidava das pirucas do Frank não deve ter contato, e seus assessores, e os amigos que o cercavam diariamente, momentos de fraqueza do “the voice” que chamais foram noticiados.
É um trabalho tão bem feito que a entrevista com o personagem principal não foi necessária, bastou para ele estar nos locais certos e observar. Não que a entrevista com Sinatra atrapalhasse na construção do produto, mas a ausência dela tornou o produto mais caprichado. A pergunta que fica no ar é, o não dá assessoria é o fim da pauta?
Eric Cavalcante
“Frank Sinatra está resfriado” e “Como não entrevistar Frank Sinatra” são dois textos escritos pela mesma pessoa, que estão intimamente ligados entre si. Isso porque o primeiro é a obra propriamente dita, e o segundo é a forma como essa obra foi concebida. Outro ponto em comum: ambos são textos interessantes e de leitura fácil. Ler esses textos serviu como base, mais uma vez, para que o conhecimento sobre coisas que mais parecem lendárias entrasse cachola adentro. Frank Sinatra era para mim, até então, um mito. Uma personalidade um tanto distante e destacada da minha realidade (pensamento bem elitista, não?!). Não que ele não continue sendo (na verdade acho que passou a ser mais ainda), mas agora seu nome me parece mais familiar, isto é, posso dizer que sei alguma coisa sobre ele. Aliás, posso dizer que sei até muita coisa sobre esse cara! (que ele não leve a expressão muito a sério...). O autor dos textos soube retratar muito bem a personalidade (nada fácil) e a vida (digamos turbulenta) deste astro.
Um cantor, um ator, um compositor, um homem talentoso, elegante, arrogante, leal, nervoso, calmo, um chato, um romântico, um boêmio, um carente, um infeliz...Sinatra é uma pessoa difícil de se descrever, mas o texto “Frank Sinatra está resfriado” serve como um bom ponto de partida para falar um pouco sobre ele. No início pensei que ia ser uma espécie de diário da vida de Sinatra, durante um resfriado. Tolo engano. O texto faz um grande apanhado sobre vários momentos da vida, pessoal e profissional dele, com transcrições de depoimentos de pessoas de seu convívio, das quais destaco três: “Ele tem tudo, não consegue dormir, dá belos presentes, não é feliz mas não trocaria o que ele é nem mesmo pela felicidade...” – Nancy Sinatra, filha mais velha e querida (p.289). “Ele tem um desejo insaciável de viver cada momento plenamente, porque, segundo me parece, sente que o fim pode estar logo ali, virando a esquina.” – Brad Dexter (p.290). “Por fora ele é calmo – por dentro, milhões de coisas acontecem.” – Dick Bakalyan (p.290).
Frankie (olha a intimidade...hehe) é um homem imprevisível, que aprendeu muito com a vida. Conquistou tudo com muito trabalho e dá muito valor a isso. Tanto que fica atordoado quando está resfriado e o que tem de mais precioso é atingido, sua voz. Ele é também muito implicante às vezes e pensa que o mundo gira em torno de seu umbigo (e muita gente contribuía para que assim fosse). Isso fica bem evidente nas páginas 268 e 269 do texto, quando ele discute com um homem num bar, dizendo ao mesmo que não gosta da maneira como ele está vestido. Não é absurdo??? No fim o homem, de nome Harlan Ellison se retirou do local, e o pior: Sinatra ainda disse: “Não quero ninguém aqui sem terno e gravata” E o subgerente concordou. Aff!
De uma forma geral é isso. Sinatra foi um homem que brilhou muito. Adquiriu muitos valores e uma personalidade forte desde a infância, no decorrer de sua criação. Foi casado duas vezes, teve três filhos do primeiro casamento, e sempre causou muita polêmica. Com seu jeito e a sede do jornalismo de variedades, não poderia ser diferente. Sua música, seguiu encantando gerações, o que despertou minha curiosidade em conhecer melhor o gênero (mas ultimamente não estou conseguindo baixar músicas...deve ser o programa! Rsrs). Mas não vou me ater a descrever em minúcias tudo o que li. Quem quiser que vá ler o texto, o qual eu recomendo com certeza. Mas também, não posso deixar de destacar o final do texto, que eu achei brilhante: Sinatra parado no sinal vermelho, uma pessoa parada no meio fio olhando para ele, meio em dúvida se era ele mesmo, então antes de o sinal abrir ele a olha direto nos olhos, “esperando a reação que fatalmente viria. Veio, e ele sorriu. Ela sorriu, e ele se foi.” Perfeito, não?!
O segundo texto já começa com uma crítica à forma como são feitas as entrevistas nos tempos mais atuais (como o autor mesmo cita, nas décadas de 1980 e 1990), revelando aversão ao uso do gravador, à falta de atenção dada pelos entrevistadores aos entrevistados, a qual ele mesmo já foi vítima, e à relutância dos editores em financiar os custos de trabalhos de apuração exaustiva, cujo resultado são matérias ou artigos com conteúdo inquestionável. É aí que o autor começa a contar, de forma breve porém esclarecedora, como o artigo de 55 páginas, filtradas de “200 páginas de anotações referentes a entrevistas com mais de 100 pessoas...” foi feito. Foram dez semanas, e 5 mil dólares. Os números assustam, é verdade. Mas tratava-se de um investimento, coisa muito rara hoje em dia no jornalismo. Se valeu a pena? Basta ler o texto “Frank Sinatra está resfriado”, citado anteriormente, e tirar as próprias conclusões. O método chamado de New journalism, que consiste em acompanhar com atenção, ouvir com paciência e descrever cuidadosamente “cenas que permitem vislumbrar o caráter e a personalidade de um indivíduo”, faz parte de um jornalismo em extinção, senão extinto, e isso entristece o autor (não só ele, né?!). O fato é que a apuração dele sobre Frank Sinatra foi impecável. Mesmo sem entrevistá-lo (e isso fica evidente no texto), ele alcança resultados magníficos, que permitem que o leitor saiba mais (bem mais) sobre o astro, sem que “O verdadeiro poderoso chefão” (ele mesmo, Frank Sinatra) tenha dado seus pitacos. E, assim como em “Frank Sinatra está resfriado”, “Como não entrevistar Frank Sinatra” termina muito bem: “A estrada se tornou muito cara. O escritor está em casa”.
Está dado o recado!
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