sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Matéria São Bernardo

Eis os links para fazer o download do áudio do debate:

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Podem postar a matéria aqui.

23 comentários:

Anônimo disse...

São Bernardo destaque no festival de Brasília 2008

Por Pámela Bouillet

O 41º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro deste ano teve um destaque especial para a exibição da cópia restaurada, de uma das obras do cinema nacional: São Bernardo, de Leon Hirszman. Baseado no romance escrito por Graciliano Ramos, publicado em 1934 e situado na segunda etapa do modernismo brasileiro, a película que foi restaurada com toda originalidade de cores e sons intactos, tais como foram concebidos, teve uma iluminação especial, mas sempre que possível com registro na luz natural. Foi mantida a pintura tematizando aquilo que Graciliano Ramos pensara em seu romance — uma saga da destruição humana pela cobiça, pelo embrutecimento causado pela ânsia da acumulação teve como presença de destaque, na Capital Federal, os dois filhos do cineasta, Maria e João Pedro, o fotógrafo do filme e restaurador, Lauro Escorel, e dois dos atores do filme, Othon Bastos e Nildo Parente, que fez com que os cinéfilos aguçassem mais ainda a curiosidade de reverem o filme.
O enredo do filme se dá, naturalmente, na ascensão e na decadência de Paulo Honório, personagem central e narrador da história, fazendeiro que conquista a propriedade que leva o nome do livro, uma fazenda em Viçosa. Se analisarmos de uma forma em que possamos comparar com momentos da nossa atualidade, a ânsia e a maneira com que o personagem central do filme quer enriquecer e enriquece, não vemos muita diferença é só nos fitarmos nas manchetes dos jornais no caderno de política.
Com uma linguagem dura e seca, demonstra a angústia do personagem central que, a todo o momento, luta para escondê-la. No processo de adquirir tudo, de enriquecer, Paulo Honório acaba se desumanizando e essa sua personalidade rude torna-se uma característica deste. Isso pode ser notado quando ele diz que se arrepende das coisas que tinha feito, porém, faria tudo de novo. A família de Honório degrada-se, pressionada pelo ciúme doentio. Madalena a mulher, se vê sem saída e acaba morrendo (tudo leva a crer que ela se suicidou). O nome de seu filho não é citado durante a obra. Comenta-se até que não possuía nem sua amizade.
O autor do filme direciona a narrativa dessa parábola da destruição dos outros e de si pela ambição capitalista com rigor, o que evita o discurso ideológico rançoso. Hirszman constrói cada plano com minúcia de artista plástico. Liga-os de maneira necessária, nunca aleatória. Tudo é rigor e invenção, da fotografia à trilha, de Caetano Veloso.
São Bernardo é um filme brasileiro de 1971, do gênero drama, foi rodado na cidade de Viçosa (Alagoas), onde Graciliano Ramos viveu muitos anos e onde escreveu algumas de suas obras.
O filme recebeu vários prêmios em festivais e ganhou o Prêmio Air France de 1973 como melhor filme, diretor (Leon Hirszman), ator (Othon Bastos) e atriz (Isabel Ribeiro), além do Coruja de Ouro de melhor diretor e atriz coadjuvante (Vanda Lacerda).

Anônimo disse...

SÃO BERNARDO


O 41° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro teve como abertura o filme de Leon Hirszman. Leon fez o colegial (cientifico) no curso de Engenharia a pedido da mãe, mas como era louco por cinema, na faculdade participou de seu primeiro cineclube. Em 1958 fundou a Federação de cineclube do Rio de Janeiro abandonou a engenharia e se dedicou só ao cinema produzindo seu primeiro filme em 1961 Pedreira de São Diogo.

Em 1965 com a repressão refugiou para o Chile, voltando um ano depois, com a parceria de Marcos Farias fundou a Saga Filmes, que foi a falência por dividas adquiridas com o São Bernardo, que na época ficou sete meses parado por causa da censura. Leon foi um dos mais ativos no movimento do cinema novo e faleceu em setembro de 1987, vítima do vírus da AIDS.

O filme é baseado no romance São Bernardo de Graciano Ramos. Com a adaptação fiel do livro, o filme foi uma dos melhores produzidos da época de 70.

No interior de Alagoas, Paulo Honório é um homem que não tem nada, que vai melhorando de vida até atingir seu objetivo que é comprar a fazendo do endividado Luiz Padilha, tornando-o seu empregado. Paulo é um homem ambicioso, mas pretende ter uma família e se casa com a professora Madalena uma mulher humana e sensível. Ele faz com que a fazenda cresça e acaba sendo temido pelos vizinhos e funcionários ao qual os trata de forma rude e grosseira, como se fossem seus escravos.

Ele expõe cada vez mais sua ambição pelo dinheiro e poder. Com um ciúmes doentio e o sentimento de posse, acua sua mulher que se suicida.

Paulo Honório percebe que conseguiu tudo de material, mais a sua obsessão deixou que ele não conseguisse o mais importante, que são os sentimentos das pessoas.

No debate a filha de Leon, Maria Hirszman se emocionou ao falar da obra do pai. Vladimir Carvalho relembrou de sua amizade com Leon e afirmou que o filme veio num momento difícil de sua vida, numa crise política e existencial.

Lauro Escorael fotógrafo na época, hoje restaurador da obra, falou das condições precárias de trabalho, dos equipamentos pesados que eles utilizavam.

Othon Bastos que interpretou Paulo Honório, se emocionou ao falar das gravações que exigiam horas de ensaio. “Não tínhamos o direito de errar, porque o negativo disponível era pouco”.
Lembrou também no dia em que Leon o procurou e perguntou se ele já havia lido o livro de Graciano, respondendo que sim, foi convidado para fazer o papel principal, mas Othon disse não parecer com o tipo físico do personagem do livro, e Leon o respondeu dizendo “Eu não quero semelhança física; quero o que tem dentro de você”, levando-o as lágrimas ao contar a história.

Antes do debate começar foi apresentado um documentário de Leon, Maioria Absoluta, que fala do analfabetismo, que o guiou em sua carreira como cineasta.



Ingrid Souza

Anônimo disse...

Bicicletas para salvar o mundo


Bicicletas pela natureza, pelos animais, pelo mundo! A exposição de fotografia “bicicletas pelo mundo”, passou 2 meses exposta em duas estações do metrô de Brasília. As estações Galeria dos Estados e Central ao lado da Rodoviária do Plano Piloto onde passam diariamente 25 mil pessoas.

A exposição retrata em 44 paineis com fotos em preto e branco onde destaca em cores a bicicleta e seus ocupantes, fotos de diversos lugares do mundo como Paris, Bogotá, Amsterdã, Londres, Índia entre outras cidades o uso da bicicleta no trânsito, uns a usam como meio de transporte, para exercícios diários, outros para passeio. O respeito com o ciclista é bem enfatizado nas fotos, mas também mostra o caos na Índia, onde pessoas, carros e bicicletas disputam espaços na rua. As fotos são do fotógrafo Alexandre Lonngren

O objetivo da exposição é conscientizar as pessoas a usar outros recursos como meio de transporte e a diminuição de carros nas vias urbanas causando menos impacto a natureza e a qualidade de vida, estimulando o governo a implantar um sistema seguro para os ciclistas integrando a bicicleta no transporte público.

Essa mobilização começou em 22 de setembro de 1998 no dia sem carro e vários lugares no mundo participaram deixando seus carros em casa. O programa se iniciou pela SeMOB- (Secretária Nacional de Transporte e da Mobilidade Humana). Por meio do Ministério das cidades. Eles também têm outros programas como Bicicleta Brasil. O programa é para estimular os governos a favorecerem o uso dos meios de transporte não motorizados.

A partir de dezembro começa a valer a lei que permite o transporte de bicicletas no metrô, mais fica proibido em horários de grande circulação de pessoas, esse sistema já é usado em alguns estados como São Paulo e Recife.

Uma pesquisa feita em 2006 mostra o numero de pessoas que circulam por hora nos demais meios:

- 2.000 pessoas de carro
- 9.000pessoas de ônibus
- 14.000pessoas de bicicleta
-19.000pessoas a pé
-22.000pessoas de trens e metrô

A exposição se despede de Brasília indo para Porto Alegre, João Pessoa, Natal, Recife e Maceió onde ficarão expostas nas principais estações de metrô.

Ingrid Souza

Anônimo disse...

O lançamento do dvd de São Bernardo

O longa-metragem São Bernardo de 1972, com argumento baseado no romance homônimo de Graciliano Ramos, com roteiro e direção de Leon Hirszman é lançado em dvd. O longa conta a vida do sertanejo, Paulo Honório, um homem de origem humilde, que faz fortuna como caixeiro viajante e agiota. Com grande status, assume a decadente propriedade S. Bernardo, fazendo tradicional do município de Alagoas. Após adquirir a fazenda, faz um grande investimento, introduz máquinas para ajudar na colheita, e entra na sociedade local. Querendo um herdeiro para tomar conta da sua fazenda, estabelece um contrato de casamento com a professora da cidade, Madalena, uma mulher inteligente e doce. O casamento se consuma, mas as diferenças aparecem ao longo do casamento. Paulo Honório é um homem brutal com seus empregados, a qual ele explorava sem pena, Madalena de consciência social se incomoda com a forma que o marido trata seus empregados. O fazendeiro torna-se paranóico e pensa que sua mulher tem um amante. Persegue-a em busca de provas da traição, Madalena cansa da desconfiança e insultos do marido e se suicida. Paulo Honório penosamente tenta assumir seus atos.
O elenco é composto por: Othon Bastos, Isabel Ribeiro, Vanda Lacerda, Nildo Parente, Mário Lago, Josef Guerreiro, Rodolfo Arena, Jofre Soares, José Labanca, José Policena e Andrey Salvador.
Projeto de restauração do filme: A restauração digital da obra de Leon Hirszman, foi feita com o objetivo de resgatar a qualidade técnica e formal que caracteriza a obra de Leon Hirszman.
Quem foi Leon Hirszman: Nasceu no Rio de Janeiro, em 22 de novembro de 1937. O primeiro filho de Sura Ryvka e Chaim Josek Hirszman (judeus). Aos 7 anos se fascinou com os episódios de seriados, pedia ao pai para levá-lo ao cinema, onde assistia a duas, três sessões seguidas.
Leon fez seus primeiros estudos (primário, ginásio) na escola israelita Scholem Aleichem. Fez curso colegial (cientifico), cursou por exigência materna, a Escola Nacional de Engenharia. Na faculdade participou da criação do seu primeiro cine-clube. Em 1958, fundou a Federação de Cine-clube do Rio de Janeiro. Leon abandonou a engenharia para dedicar-se ao cinema, ligou-se ao grupo do Teatro de Arena.
1958 participou do Seminário de Dramaturgia que preparou para revolução na América do Sul, de Boal e, em 1959, Chapada Futebol Clube. Em 1961 surgiu o Centro Popular de Cultura da Une, que produziu seu primeiro filme, “Pedreira de São Diogo”. Em 1965, para evitar a repressão política, refugiou-se no Chile. De volta fundou a Saga Filmes, que depois de produzir dois longas metragens de cangaço, foi a falência com as dividas de São Bernardo, intermeditado pela censura.
Leon trabalhou pela organização da categoria, pela regulamentação das leis do cinema e pelo fim da censura. Leon Hirszman é um dos mais ativos militantes do movimento do cinema-novo, dotado de grande cultural geral. Leon teve três filhos, Irma(1963), Maria (1966) e João Pedro (1975), nascidos de três casamentos. Em 16 de setembro de 1987, faleceu em conseqüência da debilitação provocada pela Aids. Mas seus filhos João Pedro e Maria seguem os passos do pai escrevendo documentários.

Por Kelly Lopes

Nayara disse...

Leon Hiszman repercute no cinema “de novo”

O lançamento do DVD de S. Bernardo, dirigido por Leon Hirszman em 1972, é parte do projeto de restauração das obras do cineasta

Por Nayara Young

O drama do sertanejo Paulo Honório, interpretado por Othon Bastos, entrou no programa “Restauro digital das obras de Leon Hirszman”. O projeto lança o DVD duplo com o filme S. Bernardo e os curtas Maioria Absoluta e Cantos de Trabalho.

A obra de Graciliano Ramos permanece viva na película de Leon com a preocupação em desmistificar os tabus das relações sociais. “Para mim, a adaptação não representou apenas uma simples transposição do universo de Graciliano para o filme. Houve um trabalho criativo meu, das relações objetivas, materiais, de mercado, que encontramos em um processo de filmagem e de produção” afirma Leon para Paulo Emílio em entrevista que permaneceu inédita até 2005.

A cópia 35 mm restaurada foi exibida na abertura do 41° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, e muito bem recebida pelo público brasiliense que conheceu, enfim, a verdadeira versão do filme que está sendo relançado em DVD pela Vídeo Filmes.

O restauro das obras de um dos mais ativos militantes do Cinema Novo, movimento que surgiu na segunda metade da década de 1950, conta com o apoio da Cinemateca Brasileira, do Centro Técnico Audiovisual, da Teleimage, entre outros órgãos, e prevê o lançamento de mais duas caixas de DVDs até 2010 com outras obras renomadas como A Falecida e Imagens do Inconsciente. Bom filme.

Serviço:

Filme: S. Bernardo
Ano: 1971
Duração: 111 minutos
Roteiro e direção: Leon Hiszman

Anônimo disse...

FILME POLÊMICO ABRE O 41º FESTIVAL DE CINEMA BRASILEIRO


Por Renata Figueiredo


Na noite de terça feira 18 de Novembro a abertura do festival teve a exibição da cópia restaurada do filme dirigido pelo cineasta Leon Hirszman, que foi a falência para fazer o longa São Bernardo(obra de Graciliano Ramos), que já tem seus 37 anos mas parece ser feito para todas as épocas.
O DVD do filme já está nas lojas dando continuidade no projeto de restauração de obras importantes de Leon. Obras primas do cinema nacional.
A estória do filme se passa na cidade Viçosa, interior de Alagoas nos anos 20 e 30 e conta a tragetória de um homem chucro e ambicioso que passa por uma mobilidade social. Usando disso para explorar, humilhar e até mesmo tirar a vida de pessoas que lhe são subordinadas. Othon Garcia interpreta o ator principal do fime, Paulo Honório. A saga mostra principalmente os conflitos internos de um homem que se perde no seu eu quando perde a esposa que morre por culpa do mesmo.
Na seguinte quarta feira, 19 de Novembro 10:30 no Hotel Nacional aconteceu um debate sobre o longa São Bernardo, havendo uma exibição do curta, Maioria absoluta que retrata a vida miserável de analfabetos do Brasil.
No debate se reuniram integrantes do filme São Bernardo e 2 filhos de Leon.

Anônimo disse...

Leon Hirszman retorna a telona

Por Thiago castro

A versão cinematográfica do São Bernardo romance homônimo de Graciliano Ramos foi restaurada e incluída na segunda caixa de DVDs do diretor e roteirista Leon hirszman após trinta e seis anos de seu lançamento.
O filme abriu a 41ª edição do festival de Filmes de Brasília que aconteceu no mês de novembro e contou com a participação de parte do elenco do filem e os filhos do diretor que estiveram diretamente ligados ao projeto.
São Bernardo trata da historia de um caixeiro-viajante Paulo Honório que enriqueci e compra uma fazenda que não e produtiva, consegue fazer a propriedade prosperar, então acorda um casamento com professora da cidade, Madalena. A historia se passa no interior de Alagoas, mostra diferença de classes e como um homem vindo do povo depois de sua ascensão social despreza o afeto e explora seus iguais.
A temática do filme e forte e atual, o conflito que há entre Paulo Honório vivido por Othon Bastos e a Professora Madalena interpretada pela atriz Isabel Ribeiro pontua a diferença de visões abordadas pelo filme.
Alem de São Bernardo o caixa de DVDs traz também dois Curtas, Maioria absoluta e Cantos de trabalho, esse projeto de restauração da obra de Leon, intitulado “Restauro digital da obra de Leon Hirszman” foi encabeçado pelos filhos de diretor apoiados por amigos.
Com um elenco de peso como Othon Bastos, Nildo Parente e Isabel ribeiro, entre outros e trilha sonora composta por Caetano Veloso, o filme marcou a historia, foi uma forma de Hirszman protestar contra a ditadura militar que vigorava nessa época, tentava mostrar a disparidade das classes e como o homem era tratado como mercadoria.
Maioria absoluta que também faz parte do DVD, e um documentário que retrata o meio rural e seus trabalhadores no nordeste, o foco do filme e a analfabetização, e mostra que mesmo sem saberem ler esse ovo tem consciência de sua condição. Cantos de Trabalho, e um triplo formado por curtas (mutirão, Cacau e cana-de-açúcar) surgiram a partir de São Bernardo e mostram a solidariedade e a resistência os trabalhadores.
O DVD vem trazer uma parte da historia cinematográfica de Brasil, assim como dar nova vida ao diretor Leon Hiszman através de seus filmes.
Assim Leon Hirszman volta as telonas, com sua obra restaurada e com sua contribuição acessível a todos.

Anônimo disse...

Lançamento de clássico encanta Brasília

O filme, com direção e roteiro de Leon Hirszman, fez parte da programação da abertura do Festival de Brasília 2008.


18 de novembro. Noite de lançamento no Teatro Nacional Cláudio Santoro. A terça-feira chuvosa não impediu que centenas de pessoas, das mais diversas tribos, comparecessem à abertura do 41º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A imprensa, em peso, marcava presença na festa reservada apenas para convidados. Nem mesmo o atraso para o início da apresentação demoveu aquelas pessoas do motivo pelo qual estavam ali. Pelo contrário, um certo clima de suspense começou a pairar entre os pequenos grupos de pessoas e as nuvens de fumaça de cigarro na parte exterior do Teatro. Dentro da sala de projeção, burburinhos e muitos espectadores em pé ou sentadas no chão aguardavam o “espetáculo”.
Estavam todos à espera da exibição da versão restaurada de São Bernardo, longa dirigido pelo cineasta Leon Hirszman, que não passou pela censura militar e só pôde ser exibido em 1972. Após algum tempo de espera, o público finalmente pôde saborear a versão restaurada do filme. 111 minutos de cinema nacional-popular. No fim, emoção e aplausos. “É um filme muito interessante. Com certeza um marco na história do cinema brasileiro. Tem um roteiro muito bem elaborado e até cenas de humor! Não poderiam ter escolhido filme melhor para abrir o Festival.” Diz a estudante de jornalismo, Carolina Rizzo.
Além dos atores Othon Bastos e Nildo Parente, o diretor de fotografia Lauro Escorel e dois dos três filhos de Leon, Maria e João Pedro Hirszman estavam presentes na sessão. Em discurso, Maria Hirszman falou sobre a importância da obra e de como a interdição do filme atrasou a realização de um novo projeto de seu pai. Emocionada, apontou ainda a atualidade e o vigor da obra, apesar das limitações da produção. Baseado no romance de Graciliano Ramos e com trilha sonora de Caetano Veloso, São Bernardo ganhou vários prêmios, entre eles, o Moliére de Cinema e a Margarida de Prata (CNBB).
O DVD de São Bernardo foi oficialmente lançado na manhã seguinte à exibição do filme na abertura do Festival de Brasília, no Hotel Nacional. Foi realizado um debate aberto ao público, mediado pela jornalista Maria do Rosário Caetano, com a presença de Lauro Escorel, diretor de fotografia e um dos responsáveis pelo projeto, o professor da UnB e da Universidade de Lyon2 (França) Adalberto Muller, o cineasta Vladimir Carvalho, o curador do projeto Carlos Augusto Calil, os filhos de Leon, Maria (jornalista) e João Pedro Hirszman (cineasta), e os atores Othon Bastos e Nildo Parente.
Além do lançamento do filme, desde peculiaridades da filmagem e da restauração do longa até detalhes da vida e da personalidade de Leon foram tratados no debate. “O Leon era muito racional. Passávamos horas ensaiando uma única cena. Nós ensaiamos durante seis horas a cena em que estão oito pessoas conversando durante um jantar. Tínhamos o tempo marcado, não podíamos passar de cinco minutos. Depois de muito ensaio e concentração, fizemos a cena em quatro minutos e cinqüenta segundos! O Leon saiu beijando todo mundo da gravação. Foi gratificante.” lembra o ator Othon Bastos. João Pedro Hirszman, filho de Leon, falou da longa espera por um projeto de restauração e lançamento da obra de seu pai, demonstrando imensa satisfação pela realização do sonho antigo. “Eu via as obras de nomes como Glauber Rocha serem lançadas e não entendia por que as obras do papai também não estavam sendo lançadas. O Lauro falava que eu precisava ter paciência e essa foi a parte mais difícil. No fim a paciência realmente valeu a pena.” Comemora.
O filme São Bernardo faz parte do Projeto Restauro Digital da obra de Leon Hirszman. A conclusão da primeira fase do projeto foi em 12 de novembro de 2007, com o lançamento da primeira caixa de DVD’s da obra de Leon, que trouxe clássicos como Eles Não Usam Black-Tie (1981), ABC da Greve e Pedreira de São Diogo, primeiro filme de Hirszman, filmado na década de 60. Além disso, a caixa traz dois curtas – Ecologia e Megalópolis - e o documentário inédito sobre Hirszman, Deixa que eu falo, de Eduardo Escorel. O Projeto consiste no resgate de importantes obras da filmografia do cineasta, que foram restaurados e remasterizados digitalmente.
O projeto integral prevê o lançamento de 4 caixas de DVD’s. Esta segunda, além do filme São Bernardo, apresenta os curtas Maioria Absoluta (1964) e Cantos de Trabalho (1975), e já estão disponíveis nas lojas. A previsão é de que até 2010 sejam lançados as duas caixas restantes.
Restauro Digital da obra de Leon Hirszman é um projeto que conta com o apoio do Ministério da Cultura, da Cinemateca Brasileira e da produção da Cinefilmes Ltda, além do patrocínio da Petrobrás, através do Projeto Petrobrás Cultural. São Curadores e responsáveis pelo projeto, Carlos Augusto Calil, Lauro Escorel e Eduardo Escorel, com acompanhamento de Maria e João Pedro Hirszman, filhos do cineasta.

Quem foi Leon Hirszman

Fazer cinema não sob o prisma de uma cultura importada. Essa é uma característica visível nos filmes e documentários do cineasta Leon Hirszman. Nascido em 22 de novembro de 1937, o carioca de Lins de Vasconcelos apreciava o cinema desde criança. Filho de judeus poloneses foragidos das perseguições anti-semitas na Europa Central, Leon sempre foi engajado em questões sociais, anti-racistas e contra idéias repressoras e posições intolerantes. O motivo que o despertou para seu ofício, inclusive, foi uma movimentação a favor da liberação do filme “Rio 40 graus” em 1954, onde ele acompanhou a luta de Nelson Rodrigues dos Santos, participando das reuniões na Associação Brasileira de Imprensa.
A partir daí Leon não parou mais. Na faculdade, participou da criação do seu primeiro cineclube. Em 1958, fundou a Federação de Cine-clubes do Rio de Janeiro. Abandonou a faculdade de engenharia para dedicar-se exclusivamente ao cinema. Sua ligação com o cinema e o teatro era tanto intensa quanto inevitável, e em 1961 o Centro Popular de Cultura da UNE produziu seu primeiro filme, Pedreira de São Diogo.
Em 1965, devido à repressão política, foi para o Chile. De volta ao Brasil no ano seguinte, uniu-se a Marcos Farias e fundou a “Saga Filmes”, que só produziu três longas-metragens ao estilo cangaço, indo à falência com a produção do terceiro, São Bernardo, que foi censurado. Ativo como era, trabalhou pela organização de uma categoria para o cinema, pela regulamentação de leis nesse âmbito e, principalmente, pelo fim da censura, sendo militante do movimento do Cinema Novo e participando da fundação da Cooperativa Brasileira de Cinema, no início da década de 80.
Além do interesse pelo cinema e pela política, Leon possuía vasto conhecimento em várias áreas como a psicologia e a filosofia e era grande apreciador da cultura de uma forma geral. Teve três casamentos, e um filho em cada um deles. Sua última companheira, Cláudia Fares Menhem esteve ao seu lado durante toda a sua luta contra a AIDS. Em 16 de setembro de 1987, pouco antes de completar cinqüenta anos, Leon faleceu devido à debilitações decorrentes da doença, sendo enterrado conforme o ritual judaico.
Leon havia acabado de concluir “Imagens do inconsciente” e preparava-se para filmar “Canudos”. Partiu precocemente, deixando o país órfão do “maior articulador que o cinema brasileiro já teve e um exemplo de convivência universal” afirma Nelson Pereira dos Santos”.

Serviço:

Filme: São Bernardo.
Gênero: Drama
Duração: 111 min.
Lançamento: 1972
Lançamento do DVD (versão restaurada): 2008
R$: XX,XX

Sinopse: No interior de Alagoas, Paulo Honório é um sertanejo de origem humilde determinado a “subir na vida”. Cria uma obsessão: adquirir a fazenda São Bernardo. Através de uma articulada transação ele alcança seu objetivo, tornando o local produtivo e lucrativo. À certa altura, percebe que precisa ter um herdeiro para assumir seu lugar um dia. É aí que ele conhece a professora Madalena. Ele firma contrato de casamento com a moça, mas com o tempo as diferenças entre o casal vão surgindo. Paulo Honório trata mal seus empregados, e Madalena, consciente e solidária, não aprova as atitudes do marido, que passa a desconfiar da fidelidade dela. Paranóico, ele começa a perseguir provas da suposta traição.

Anônimo disse...

S.Bernardo abre o 41º Festival de Cinema de Brasília.
Lançamento da reedição em DVD do Filme S.Bernardo faz sucesso no Festival de Cinema de Brasília.

Por Nélia Rodrigues

A reedição do filme S.Bernardo foi apresentado no 41º Festival de Cinema de Brasília na sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro.
Considerando o fato de que o filme foi gravado em uma época de plena censura, ao assistir o filme e os dois documentários anexos no DVD, podemos perceber a tentativa crítica de Leon relatar o sofrimento do povo castigado pelo autoritarismo descrito nos documentários: Maioria absoluta e Cantos de Trabalho.

O Filme tem momentos sublimes sobre Paulo Honório, fazendeiro que conquista a fazenda em Viçosa. O filme relata as desigualdades sociais que permanecem até os dias de hoje, colocando a história em um contexto atual de nossa sociedade. No processo de adquirir riquezas e poder das terras, Paulo Honório se torna rude. Madalena pressionada pelo ciúme doentio de marido, se vê sem saída e acaba morrendo.
Leon Hirszman – projetando o cinema novo - iniciou como cineasta em cineclubes e e logo vinculou-se a Augusto Boal, Gianfracesco Guarnieri e Oduvaldo Viana Filho.O filme de Leon Hirszman é tecnicamente evoluído para seu tempo.
O ator Othon Bastos protagonista do filme esteve presente na abertura da 41ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB), ‘S. Bernardo’, Othon Bastos acompanhou a projeção da película e recordou a participação na obra.
Para Othon Bastos “a obra de Graciliano e a reedição do filme e um marco histórico confesso que fico emocionado em falar do filme e sua participação”.
Idealizadores da reedição - Estavam presentes na abertura do 41º Festival de Cinema de Brasília, os filhos do cineasta, João Pedro e Maria Hirszman, os atores Othon Bastos (intérprete de Paulo Honório) e Nildo Parente e o fotógrafo do filme Lauro Escorel e Carlos Augusto Calil, também curador do projeto de restauro da obra de Hirszman.
Leon Hirszman foi um dos fundadores do Cinema Novo, movimento que começou nos anos 60, dez anos depois de sua morte, ele ainda é lembrado.
A sua filha Maria, emocionada, leu um texto de sua autoria agradecendo a organização do festival e saudando a memória do pai. "Ele foi um idealista", lembrou. "O cinema era sua trincheira para uma luta pela dignidade do ser humano, dos que estão à margem da sociedade". Lembrou ainda que o filme foi realizado em 1971, época difícil e de censura. "Como disse Calil, Leon fez da limitação um estilo".

Filme: S. Bernardo
Ano: 1971
Duração: 111 minutos
Roteiro e direção: Leon Hiszman

Anônimo disse...

Capital Inicial agita o Ginásio Nilson Nelson

Gerações ao som do Rock’n’Rooll do Capital Inicial.

Como já era esperado o show do Capital Inicial foi um verdadeiro sucesso que arrastou para o Ginásio Nilson Nelson antigos admiradores e novos fãs adolescentes a cada música cantada gritos, muitos gritos eufóricos eram entoados. Mas o cantor parece não se incomodar com o assedio das fãs.

O cantor Dinho Ouro Preto juntamente com sua banda é considerado um ícone musical no estilo Rock Pop, e está cada vez mais antenado com a nova geração, banda que nasceu em Brasília, depois de varias formações e participações em outros grupos, somente na década de 80, Capital Inicial despontou no circuito musical, junto com outras bandas como Titãs, Paralamas do Sucesso e Renato Russo e outros que serviram de influência até mesmo para o próprio Dinho.

Hoje sua formação é composta por: Flávio Lemos, Fernando Lemos, Yves Passareli e Dinho. Ao longo de uma carreira consolidada de 28 anos a banda está de volta a Brasília com um novo trabalho; Turnê de Lançamento do mais novo DVD - Eu nunca disse Adeus.
Esse novo DVD vem mostrar que no decorrer de sua carreira várias de suas canções não foram esquecidas por gerações passadas, e são bem aceitas pela nova geração da capital federal.

Para o advogado Wilson Dantas (55 anos) foi um dos primeiros a chegar ao local do evento, “acha muito interessante ver que os filhos Rafael e Vanessa gostam da mesma banda que ele”.

O promotor de Eventos Júnior Petrovic relata que “o público do Capital Inicial é fiel não só em Brasília, mas em todo Brasil, onde quer que a Banda passe o que se vê é uma verdadeira diversidade de idades”. O que confirma que banda é preferência para os pais e agora dos filhos, geração que sonha com a música, pegam como referência Bandas cuja trajetória teve inicio na capital federal. E isso nós faz acreditar que mais talentos da nossa Capital Federal possam sair de seus casulos e virarem uma referência assim como tantas outras.

O show realizado no dia 18 de outubro no Ginásio Nilson Nelson, é prova disso, o público estava animado, e demonstrava um verdadeiro entrosamento com as canções novas mais os antigos sucessos da banda parecia encendear o público que cantava todas as músicas da Banda.

Depois de Brasília a Turnê de Lançamento do novo Show do Capital Inicial estará viajando por outros estados Brasileiros.

Anônimo disse...

Luz, câmara, renovação. Após a censura sofrida desde sua primeira exibição em 1972, o filme São Bernardo tem como marco para seu lançamento em dvd, o 41º Festival de Brasília do cinema brasileiro entre os dias 18 e 25 de novembro de 2008. Com projeto de Leon Hirszman, o filme passou por um processo de restauração digital acompanhando as transformações tecnológicas da modernidade e permitindo, além de uma melhor conservação do filme, a possibilidade de pessoas conhecerem uma das mais importantes obras literárias brasileira. Baseada na literatura de Graciliano Ramos (1892-1953), São Bernardo serviu como roteiro fiel para o longa.

Na apresentação do dvd, foi exibido o curta metragem Maioria Absoluta que também compõe o dvd, no Hotel Nacional com debate acerca do filme e das expectativas dos envolvidos e da restauração pela qual passou o filme datado de 1972. Pessoas envolvidas no projeto estavam compondo a mesa, dentre eles o restaurador do filme Lauro Escorel, o cineasta Adalberto Muller além da presença da filha de Leon, Maria Hirszman, que, na tentativa de falar do projeto do pai, foi interrompida por uma forte emoção. Um dos momentos mais marcantes na ocasião, foi a emoção do ator Othon Bastos ao tentar falar do filme de Leon. Emudeceu-se deixando que as lágrimas evidenciassem seus sentimentos sobre o filme e sobre sua admiração ao próprio Leon, que acreditou no projeto apesar de todas as dificuldades enfrentadas nas gravações.

Carioca, nascido em 937 e amante de cinema, Leon idealizou e criou seu primeiro cine clube enquanto ainda cursava a faculdade. Além de fundar a Federação de cines-clube do Rio de Janeiro, em 1958. Mas foi com o longa São Bernardo que Hirszman se eternizou nas considerações dos mais renomados nomes do cinema. Para o cineasta Adalberto Muller, a restauração de São Bernardo foi um passo importante na história do cinema brasileiro. Muller diz que “considera um gesto poético, sobretudo em um país que desvaloriza seu acervo cinematográfico”. À época das gravações de São Bernardo, os equipamentos eram restritos, pesados, o que obrigou, de certo modo, a filmagem em planos longos, fixos que despertam a atenção e expectativas a cada cena.

O cenário: Viçosa, uma cidade no interior de Alagoas, entre os anos 20 e 30. O fazendeiro Paulo Honório, interpretado por Othon Bastos, faz fortuna com agiotagem, assume a decadente propriedade São Bernardo e a expande, tornando-se reconhecido e respeitado na região. Um padre, um amigo e uma professora. Madalena, uma mulher à frente do seu tempo, forte, misteriosa, simpática ao socialismo, amável para com os empregados e que não aceita o modo como Paulo Honório trata os empregados da fazenda. Honório, um homem rude e solitário, o que desperta nele o interesse pela professora Madalena (Isabel Ribeiro) para fazer-lhe um filho. Firmam matrimônio. Madalena concebe um herdeiro. Mas tomado pelo ciúme, desconfiado, Honório a persegue. Um suicídio. O arrependimento. A solidão. É o próprio Honório quem narra a sua história. Um filme pausado, lento, filmado no mesmo ritmo, intrigante com uma linguagem rebuscada, profunda.

Nas considerações de Vladimir Carvalho, Leon soube utilizar perfeitamente a linguagem à época do filme, envolvendo o espectador e fazendo pensar por meio dos diálogos pausados. “A linguagem hoje é um fetiche, porém a de Leon era tão clara e aliada a conteúdo” elogia Vladimir.

Um romance atemporal, que instiga valores políticos, conflitos pessoais e reflexões. A expectativa de mostrar ao público uma história rica, que mesmo em meio às restrições recorrentes a época, conseguiu-se romper e transformar-se em uma narrativa surpreendente que ganhou diversos prêmios desde sua exibição.

Anônimo disse...

Entre misturas

Naturalista ou Realista, não importa, ele se auto define expressionista por natureza ao transcender através da arte, a história e a cultura dos negros em sua exposição "Negras Raízes", título que sugere contar uma ínfima parte da história dos negros que vieram da África e destacar traços e expressões características do negro.

Na efervescência das comemorações da consciência negra, o artista plástico Josafá Neves, à frente de qualquer celebração, desponta como componente dessa raça a fim de mostrar a expressividade de brasileiros afros na construção de uma identidade nacional na exposição Negras Raizes. Para Neves, é uma tentativa de mostrar a influência da cultura e da beleza do negro. "Dedico ao dia da consciência negra para mostrar a cultura, a fé e a construção do nosso país que tem essa característica do negro", comenta.
Brasiliense, autodidata, Josafá iniciou suas pinturas desde pequeno. Neves pintou seu primeiro painel em 1996 com temática sobre a fome e o expôs na Universidade Federal de Goiás. Morador da cidade satélite Núcleo Bandeirante onde tem seu atelier com um acervo de aproximadamente 70 telas.

Mais que obras de arte, a exposição de quadros com fundos negros, é um convite à consciência para a importância do negro enquanto componente da história.

O artista luta pela igualdade, sobretudo de gênero e raça e pela inserção social do negro. Suas obras expressam vida, vigor e desconstrução de estereótipos construídos em torno dos negros a fim de dar-lhes visibilidade.

Uma mistura de cores, uma junção entre o branco e o negro – combinação perfeita e harmônica. Na desconstrução de que o negro é sempre obscuro e que faz alusão ao que é ruim, Neves revela o homem negro dotado de força e vitalidade apesar de toda opressão sofrida em sua história e para isso faz uso de cores fortes que expressam alegria e vida.

À medida que perpassam por cada quadro é impossível sair ileso à qualquer sentimento que estes despertam. Em nenhum de seus quadros é possível sair imune a misturas de sensações que podem causar. De soslaio, um dos quadros faz um convite à apreciação de uma mãe que acolhe o filho no colo. Ela negra, o filho branco – não importa. A principal mensagem desta obra é o papel da mulher, mãe, cuidadora, o que independe de cor na visão de Neves.

Outra obra, titulada “Basta” revela o furor com que o artista luta para desconstruir nas pessoas os estereótipos em torno dos negros. Um homem com suas mãos elevadas como se pedisse explicações, indagando sobre verdades consideradas absolutas.

Nos seus demais quadros, Neves revela ainda o negro como Guerreiro, título que também nomeia uma de suas obras. Neves deixa clara sua percepção de que o Brasil fora construído com a junção de raças, somando o negro e o branco, como em um de seus quadros chamado “Brasis”. Além de “Ameaçados”, termo que também faz alusão a uma de suas telas, o artista plástico se antecipa ao ver as mulheres negras como “Bailarinas”, “Damas da Noite” e “Princesas”, outrora inadmissíveis. Todas as suas obras representam o desejo incontrolável de inserir esse ser que tanto contribui para a história e que faz parte dela.

O público se restringe aos transeuntes da Câmara dos Deputados que muitas vezes passam despercebidos e deixam comentários sobre os quadros como "assustador" ou "misterioso". Quando perguntado se suas obras deveras dão visibilidade ao negro, já que o público não comparece em peso, Neves não se intimida em dizer que se não notaram sua arte é porque lhes falta a educação, o costume de observar."A arte é para poucos, as pessoas precisam ser ensinadas a enxergar", comenta Neves na certeza de que a sensibilidade não é alcançada pela multidão, mas por olhares aguçados. "Eu não preciso de multidão, só preciso de alguns aliados" finaliza Neves.



SERVIÇO
Onde: Sala de Exposições – CHAPELARIA – Câmara dos Deputados
Quando: De 05 a 27 de Novembro de 2008
Horário: Segunda à Sexta-feira das 10h às 17h
Entrada Franca

Anônimo disse...

Clássicos que não envelhecem

Lançado em 1971, o filme São Bernardo, dirigido por Leon Hirszman, com roteiro baseado no romance de Graciliano Ramos é um dos destaques do 41° Festival de Cinema de Brasília. Após 37 anos o filme foi totalmente restaurado oferecendo para os mais jovens que ainda não assistiram e também aos mais velhos a oportunidade de rever essa grande obra do cinema brasileiro.

Na década de setenta o filme foi nacionalmente premiado faturando festivais como o Air France de Cinema em 73 no Rio de Janeiro e o festival do Cinema Brasileiro de Gramado em 74 no Rio Grande do Sul.

O filme foi rodado na cidade de Viçosa (AL), cidade onde Graciliano escreveu muitos dos seus romances, conta a história de um mascate que conseguiu dar um calote em um grande fazendeiro onde o dono ficou sendo o empregado da sua própria fazenda.

Na estréia do festival de Brasília o filme foi relançado e contou com a presença ilustre de Othon Bastos, que é o protagonista da obra. Othon interpreta o mascate Paulo Honório. Além de ser exibido no festival o filme foi lançado em DVD pela produtora Vídeo filmes, fale a pena conferir.

Eric Cavalcante

Anônimo disse...

O lançamento do dvd de São Bernardo

Melhor filme do Festival de Cinema de 2008 sai em dvd junto com “Maioria absoluta” e “Cantos do trabalho” e o filme que destaca é “São Bernardo”. O longa-metragem São Bernardo de 1972, com argumento baseado no romance homônimo de Graciliano Ramos, com roteiro e direção de Leon Hirszman é lançado em dvd. O longa conta a vida do sertanejo, Paulo Honório ( Othon Bastos ), um homem de origem humilde, que faz fortuna como caixeiro viajante e agiota. Com grande status, assume a decadente propriedade S. Bernardo, fazendo tradicional do município de Alagoas. Após adquirir a fazenda, faz um grande investimento, introduz máquinas para ajudar na colheita, e entra na sociedade local. Querendo um herdeiro para tomar conta da sua fazenda, estabelece um contrato de casamento com a professora da cidade, Madalena, uma mulher inteligente e doce. O casamento se consuma, mas as diferenças aparecem ao longo do casamento. Paulo Honório é um homem brutal com seus empregados, a qual ele explorava sem pena, Madalena de consciência social se incomoda com a forma que o marido trata seus empregados. O fazendeiro torna-se paranóico e pensa que sua mulher tem um amante. Persegue-a em busca de provas da traição, Madalena cansa da desconfiança e insultos do marido e se suicida. Paulo Honório penosamente tenta assumir seus atos. O grande ator Othon Bastos deu um grande show de interpretação, o papel principal interpretado por ele passa ao público um homem frio e impiedoso. Ao lembrar de sua interpretação Othon bastos se emociona e fica feliz ao rever o filme novamente e ser o melhor no festival de cinema.
O elenco é composto por: Othon Bastos, Isabel Ribeiro, Vanda Lacerda, Nildo Parente, Mário Lago, Josef Guerreiro, Rodolfo Arena, Jofre Soares, José Labanca, José Policena e Andrey Salvador.
Projeto de restauração do filme: A restauração digital da obra de Leon Hirszman, foi feita com o objetivo de resgatar a qualidade técnica e formal que caracteriza a obra de Leon Hirszman.
Quem foi Leon Hirszman: Nasceu no Rio de Janeiro, em 22 de novembro de 1937. O primeiro filho de Sura Ryvka e Chaim Josek Hirszman (judeus). Aos 7 anos se fascinou com os episódios de seriados, pedia ao pai para levá-lo ao cinema, onde assistia a duas, três sessões seguidas.
Leon fez seus primeiros estudos (primário, ginásio) na escola israelita Scholem Aleichem. Fez curso colegial (cientifico), cursou por exigência materna, a Escola Nacional de Engenharia. Na faculdade participou da criação do seu primeiro cine-clube. Em 1958, fundou a Federação de Cine-clube do Rio de Janeiro. Leon abandonou a engenharia para dedicar-se ao cinema, ligou-se ao grupo do Teatro de Arena.
1958 participou do Seminário de Dramaturgia que preparou para revolução na América do Sul, de Boal e, em 1959, Chapada Futebol Clube. Em 1961 surgiu o Centro Popular de Cultura da Une, que produziu seu primeiro filme, “Pedreira de São Diogo”. Em 1965, para evitar a repressão política, refugiou-se no Chile. De volta fundou a Saga Filmes, que depois de produzir dois longas metragens de cangaço, foi a falência com as dividas de São Bernardo, intermeditado pela censura.
Leon trabalhou pela organização da categoria, pela regulamentação das leis do cinema e pelo fim da censura. Leon Hirszman é um dos mais ativos militantes do movimento do cinema-novo, dotado de grande cultural geral. Leon teve três filhos, Irma(1963), Maria (1966) e João Pedro (1975), nascidos de três casamentos. Em 16 de setembro de 1987, faleceu em conseqüência da debilitação provocada pela Aids. Mas seus filhos João Pedro e Maria seguem os passos do pai escrevendo documentários.

Por Kelly Lopes

Anônimo disse...

Clássicos que não envelhecem
O diretor Leon Hirszman teve três das suas obras restauradas que serão lançadas em Dvd no mês de Novembro

Lançado em 1971, o filme São Bernardo, dirigido por Leon Hirszman, com roteiro baseado no romance de Graciliano Ramos é um dos destaques das obras do autor que serão relançadas em Dvd no mês de Novembro. Após 37 anos o filme foi totalmente restaurado oferecendo para os mais jovens que ainda não assistiram e também aos mais velhos a oportunidade de rever esse grande clássico do cinema brasileiro.

Esse filme faz parte da segunda caixa de Dvds de obras cinematográficas brasileiras que foram restauras, que também inclui os curtas-metragens Maioria Absoluta (1964) e Cantos de trabalho (1975) os todos Hirszman. Na primeira caixa, lançada no final de 2007, inclui os filmes Eles Não Usam Black-Tie, ABC da Greve, Ecologia, Megalópolis, Pedreira de São Diego e o Documentário inédito Deixa Que Falo Eu Falo, de Eduardo Escorel.

O filme foi rodado na cidade de Viçosa (AL), terra onde Graciliano escreveu muitos dos seus romances, conta a história de um mascate Paulo Honório interpretado pelo ator Othon Bastos, que tinha o sonho de comprar a fazenda S.Bernardo. Após conquistar o seu sonho por meio de manobras financeiras, Honório deixou com que as riquezas subissem a sua cabeça, maltratando os seus empregados transformando-se em um homem cruel até mesmo com sua esposa.

Na década de setenta o filme foi nacionalmente premiado faturando festivais como o Air France de Cinema em 73 no Rio de Janeiro e o festival do Cinema Brasileiro de Gramado em 74 no Rio Grande do Sul.

Leon Hizrsman foi um dos maiores diretores cinematográficos do Brasil, apaixonado por música popular formou-se em engenharia. Mas o cinema falou bradou no seu coração, e a arte nacional ganhou um grande talento, depois de tantos anos vale a pena acompanhar esses tesouros em Dvd.




Eric Cavalcante

Anônimo disse...

Luz, câmera, restauração. Após a censura sofrida desde sua primeira exibição em 1972, o filme São Bernardo tem como marco para seu lançamento em dvd, o 41º Festival de Brasília do cinema brasileiro entre os dias 18 e 25 de novembro de 2008. Com direção de Leon Hirszman, o filme passou por um processo de restauração digital acompanhando as transformações tecnológicas da modernidade e permitindo, além de uma melhor conservação do filme, a possibilidade de pessoas conhecerem uma das mais importantes obras literárias brasileira. Baseada na literatura de Graciliano Ramos (1892-1953), São Bernardo serviu como roteiro fiel para o longa.

O dvd é composto pelos filmes Maioria Absoluta, Cantos do Trabalho além do São Bernardo, eleito o melhor filme do festival. O primeiro dvd foi lançado em 2007 e até 2010, o projeto de restauração ainda prevê o lançamento de mais dois dvd,s com os filmes A Falecida e Imagens do Inconsciente como parte do projeto de restauração das obras de Hirszman, um dos cineastas mais renomados no meio cinematográfico, sobretudo do Cinema Novo.

Carioca, nascido em 1937 e amante de cinema, Leon idealizou e criou um cine clube enquanto ainda cursava a faculdade. Além de fundar a Federação de cines-clube do Rio de Janeiro, em 1958. Já em 1961, Hirszman produziu seu primeiro filme Pedreira de São Diogo, apoiado pelo Centro Popular de Cultura da UNE, fundado com a contribuição do próprio cineasta. Mas foi com o longa São Bernardo que Hirszman se eternizou nas considerações dos mais renomados nomes do cinema. Para o cineasta Adalberto Muller, a restauração de São Bernardo foi um passo importante na história do cinema brasileiro. Muller diz que “considera um gesto poético, sobretudo em um país que desvaloriza seu acervo cinematográfico”. À época das gravações de São Bernardo, os equipamentos eram restritos, pesados, o que obrigou, de certo modo, a filmagem em planos longos, fixos que despertam atenção e expectativas a cada cena.

O cenário: Viçosa, uma cidade no interior de Alagoas, entre os anos 20 e 30. O fazendeiro Paulo Honório, interpretado por Othon Bastos, faz fortuna com agiotagem e, como caixeiro-viajante, assume a decadente propriedade São Bernardo e a expande, tornando-se reconhecido e respeitado na região. Um padre, um amigo Padilha (Nildo Parente) de quem o fazendeiro comprou-lhe a propriedade São Bernardo por um preço ínfimo, tornando-o seu empregado e uma professora. Madalena, uma mulher à frente do seu tempo, forte, misteriosa, simpática ao socialismo, amável para com os empregados e que não aceita o modo como Paulo Honório trata os empregados da fazenda.
Honório, um homem rude e solitário, o que desperta nele o interesse pela professora Madalena (Isabel Ribeiro) para fazer-lhe um filho. Firmam matrimônio. Madalena concebe um herdeiro. Mas tomado pelo ciúme, desconfiado, Honório a persegue. Um suicídio. O arrependimento. A solidão. É o próprio Honório quem narra a sua história. Um filme pausado, lento, filmado no mesmo ritmo, intrigante, com uma linguagem rebuscada, profunda. Nas considerações de Vladimir Carvalho, Leon soube utilizar perfeitamente a linguagem à época do filme, envolvendo o espectador e fazendo pensar por meio dos diálogos pausados. “A linguagem hoje é um fetiche, porém a de Leon era tão clara e aliada a conteúdo” elogia Vladimir.

Com a escassez de recursos tanto materiais como financeiros, a ordem era ensaiar a exaustão, pois não se permitiam errar já que contavam com a falta de negativos, caso tivessem que repetir as cenas. Os equipamentos pesados não permitiam movimentos constantes das câmeras, o que associado à técnica, fez Leon optar por filmagens em planos longos que Lauro Escorel, diretor de fotografia, associa a certa pureza ideológica na maneira de filmar, sem interferir na naturalidade. A filmagem seqüencial dar idéia do todo dos personagens, o que possibilita aos atores se envolverem de tal maneira que, conhecendo os mistérios dos seus personagens e proporcionando unidade, possam interpretá-los e construí-los em uma imersão completa do início ao fim o que reflete na segurança da atuação.

Somado à falta de recursos técnicos, o financeiro tornou-se um desafio às gravações de São Bernardo ao ponto de a secretária de produção Shirley Hirszman, ter de ficar como garantia do pagamento das locações e alimentação, até que o dinheiro chegasse do Rio. Pessoas envolvidas nas filmagens abandonaram o trabalho por não terem recebido. À exceção de alguns atores como Nildo Parente que não desistiu do projeto mesmo recebendo apenas a metade de seu pecúlio, e se deu como alternativa curtir aquele momento. Afirmou: “Teve gente da equipe que foi embora (...) mas os atores ficavam, ou porque queriam fazer aqueles papéis, ou porque acreditavam no filme”.
Ao contrário de Parente que recebeu o restante do seu pagamento tempos depois, Othon Bastos só ficou com a promissória de vinte e cinco anos como recordação. “Na época posso ter ficado irritadíssimo, mas depois que você vê o filme, até esquece disso. Você vê recompensado o seu trabalho, todo o seu esforço e dedicação estão ali projetados na tela” conclui.

A escolha dos personagens para Hirszman foi uma obra à parte, pois buscava atores a quem conferia admiração pelo ser comum para não formar estereótipos. Assim foi na escolha da professora Madalena (Isabel Ribeiro) pela qual Hirszman tem uma simpatia àquela personagem, esposa incompreendida pelo marido, sufocada, mas com uma força imensurável e admirável como mulher. Hirszman preocupou-se em humanizar os personagens como forma de aproximá-los da realidade do espectador. Na escolha de Isabel Ribeiro, buscou a experiência dela como mulher e mãe para dar vida à professora Madalena. Leon mostrou sua admiração e confiança em Isabel acrescentando que se tratava de uma “atriz de grande sensibilidade e de uma beleza profunda”, o que a tornaria a mulher perfeita para se indignar e contrapor-se às condições de submissão recorrente na história da mulher. Aliás, uma causa pela qual o cineasta se comprometia em outras obras. “O problema da mulher no seu mistério e na sua condição social é um dos meus temas prediletos” afirmou Leon, por isso esse cuidado na escolha de uma mulher forte para este personagem marcante.

No caso do ator Othon Bastos não foi diferente. Antes de presenteá-lo com o personagem Paulo Honório, Leon deu-lhe o livro para que Othon lesse para depois conversarem. O ator se esquivou ao argumentar que não tinha o tipo físico do personagem e Leon retrucou dizendo que “importava o que havia dentro dele”.

Leon adiciona ainda ao longa seu rigor também na musicalidade que pontua cada cena acrescentando novos rumos além da interpretação dos atores. Uma sensibilidade musical transferida para a responsabilidade da voz de Caetano Veloso que empresta às cenas de pesar, os seus gemidos em forma de melodia que compõe as cenas numa interpretação improvisada como fizera com Asa Branca.
Cenas minuciosamente marcadas e com a música não poderia ser de outra forma, senão com a ousadia e a sofisticação de Hirszman, na tentativa de assimilar os gemidos à dor dos personagens, sobretudo a de Madalena. Um som que não se restringisse às cenas, mas que ecoasse pela fazenda como um desabafo do personagem.
Com essa escolha, a melodia marca momentos intensos e sofridos que envolvem reflexão e dão voz a amarguras por meio dos gemidos que não se restringem as cenas e extrapolam os efeitos da musicalidade. Essa ousadia de Leon deixou Caetano Veloso maravilhado com o resultado além de contribuir para a carreira do cantor que planejou seu cd titulado Araçá Azul nessa inspiração. “Ele teve um papel fundamental, me levou a uma virada na minha própria carreira”, declara Caetano.

A fotografia tem um enquadramento que distancia os personagens para causar impacto não só com a imagem, mas também permitir que a música trabalhe em harmonia: uma junção com o ver, o ouvir e o sentir.

Filmado, em sua maior parte, sob a luz natural dada a falta de refletores, São Bernardo causa admiração na beleza de seus ambientes que contribuem para a veracidade dos acontecimentos. Com nuances de pouca luz, as cenas marcantes do longa ficaram a cargo, sobretudo da criatividade de Leon somado às técnicas do Fotógrafo Lauro Escorel que determinava os momentos em que as cenas deveriam ser gravadas para aproveitar a luz do sol. Escorel explica que dependia dessa percepção de iluminação natural para marcar cada cena e aproveitar o sol entrando nos ambientes. Acrescenta que contavam apenas com alguns refletores e que no primeiro dia de filmagens todas as luzes foram queimadas. O fotógrafo ainda avalia o filme como “primitivo do ponto de vista fotográfico”, complementando que talvez por isso chame a atenção para a beleza presente do início ao fim do longa.


Um romance atemporal, que mesmo filmado com métodos de produção artesanal, lento para os padrões cinematográficos existentes, ainda surpreende e não deixa lacunas quanto à qualidade da obra de Hirszman que apaixonado pelo projeto, acreditou e foi até as últimas conseqüências para realizá-lo. Tempos depois, o próprio Hirszman admitiu que fora um trabalho árduo, e nas suas próprias palavras “quase como um suicídio” ou também “como um ato de coragem” complementa.
Além de instigar valores políticos, conflitos pessoais e reflexões, a expectativa com o relançamento é de tornar viva uma obra que nunca envelhecera nos seus conceitos e de mostrar ao público uma história rica, que mesmo em meio às restrições recorrentes a época, conseguiu-se romper e transformar-se em uma narrativa surpreendente que ganhou diversos prêmios desde sua exibição.

Anônimo disse...

SÃO BERNARDO

A estréia do DVD do filme São Bernardo aconteceu no 41° festival de Brasília do cinema brasileiro.
O filme é baseado no romance São Bernardo de Graciano Ramos. Com a adaptação fiel do livro, o filme foi uma dos melhores produzidos da época de 70.

No interior de Alagoas, Paulo Honório é um homem que não tem nada, que vai melhorando de vida até atingir seu objetivo que é comprar a fazendo do endividado Luiz Padilha, tornando-o seu empregado. Paulo é um homem ambicioso, mas pretende ter uma família e se casa com a professora Madalena uma mulher humana e sensível. Ele faz com que a fazenda cresça e acaba sendo temido pelos vizinhos e funcionários ao qual os trata de forma rude e grosseira, como se fossem seus escravos.

Ele expõe cada vez mais sua ambição pelo dinheiro e poder. Com um ciúme doentio e o sentimento de posse, acua sua mulher que se suicida.
Paulo Honório percebe que conseguiu tudo de material, mais a sua obsessão deixou que ele não conseguisse o mais importante, que são os sentimentos das pessoas.

O filme é de Leon Hirszman. Leon fez o colegial (cientifico) no curso de Engenharia a pedido da mãe, mas como era louco por cinema, na faculdade participou de seu primeiro cineclube. Em 1958 fundou a Federação de cineclube do Rio de Janeiro abandonou a engenharia e se dedicou só ao cinema produzindo seu primeiro filme em 1961 Pedreira de São Diogo.

Em 1965 com a repressão refugiou para o Chile, voltando um ano depois, com a parceria de Marcos Farias fundou a Saga Filmes, que foi a falência por dividas adquiridas com o São Bernardo, que na época ficou sete meses parado por causa da censura. Leon foi um dos mais ativos no movimento do cinema novo e faleceu em setembro de 1987, vítima do vírus da AIDS.

A filha de Leon, Maria Hirszman se emocionou ao falar da obra do pai. Vladimir Carvalho relembrou de sua amizade com Leon e afirmou que o filme veio num momento difícil de sua vida, numa crise política e existencial.
Lauro Escorael fotógrafo na época, hoje restaurador da obra, falou das condições precárias de trabalho, dos equipamentos pesados que eles utilizavam limitando alguns movimentos.

Othon Bastos que interpretou Paulo Honório se emocionou ao falar das gravações que exigiam horas de ensaio. “Não tínhamos o direito de errar, porque o negativo disponível era pouco”.
Lembrou também no dia em que Leon o procurou e perguntou se ele já havia lido o livro de Graciano, respondendo que sim, foi convidado para fazer o papel principal, mas Othon disse não parecer com o tipo físico do personagem do livro, e Leon o respondeu dizendo “Eu não quero semelhança física; quero o que tem dentro de você”, levando-o as lágrimas ao contar a história.
Maioria Absoluta também de Leon, fala do analfabetismo, foi o documentário que o guiou em sua carreira como cineasta.



Ingrid Souza

Anônimo disse...

FILME POLÊMICO ABRE O 41º FESTIVAL DE CINEMA BRASILEIRO


O 41º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro teve como abertura um filme de cópia restaurada do cineasta Leon Hirszman.São Bernardo.Patrimônio Cultural Imaterial do Cinema brasileiro.
Na noite de terça feira 18 de Novembro a abertura do festival teve a exibição do filme dirigido pelo cineasta,que foi a falência para fazer o longa São Bernardo(obra de Graciliano Ramos),o longa já tem seus 37 anos mas parece ser feito para todas as épocas.
O DVD do filme já está nas lojas dando continuidade no projeto de restauração de obras importantes de Leon.Obras primas do cinema nacional.
A estória do filme se passa na cidade Viçosa,interior de Alagoas nos anos 20 e 30 e conta a tragetória de um homem chucro e ambicioso que passa por uma mobilidade social.Usando disso para explorar, humilhar e até mesmo tirar a vida de pessoas que lhe são subordinadas.Othon Bastos interpreta o ator principal do fime, Paulo Honório.A saga mostra principalmente os conflitos internos de um homem que se perde no seu eu quando perde a esposa que morre por culpa do mesmo.
A mulher por sua vez uma moça do interior muito bonita,que se dispõe em ajudar as pessoas e muito dedicada ao marido,que começa a confundir bondade com libertinagem e começa a ter dlírios de que sua esposa é uma leviana.A aprtir daí começam conflitos internos que ao se exteriorizarem passam a prejudicar a esposa.O filme é na maior parte focado no casal,que tem um filho em comum, esse quase não é visto no filme.E pouco citado.
O filme tem uma linguagem bem clássica da vida popular. Porém para a época em que foi feito muito moderno,razão de ser tão atual 33 anos depois.
A estética do filme segue exatamente a fio o livro.Esse mesmo era usado durante todo o tempo de gravação do filme.
A fotografia do filme é belíssima, tanto que encantou o público que o assistiu restaurado. Sua restauração foi feita deixando tudo intacto.O longa tem como diretor de fotografia Lauro Scorel que na época em que foi feito o filme conhecia o livro São Bernardo de cor.
A produção do longa foi penosa.A precariedade com que o filme foi feito, más condições de trabalho resultaram bem na estética do filme.Cameras de filmagem muito pesadas que levaram o filme a imagens fixas,tornando parado, fixo.Eram feitas muitas horas de ensaio antes das filmagens para que não houvesse erros pois não era permitido errar por falta de recursos,como o negativo que era pouco.
O filme alcaçou grande repercurção tanto no Brasil como no exterior.
O filme foi censurado por seis meses pelo regime militar.
O longa ganhou prêmios como Air France em 1973 como melhor filme. Foi indicado para ofestival de Cane. Porém Leon Hirszman foi literalmente à falência para a realização do filme.A irmã foi deixada como penhora na cidade enquanto não tinham sido feitos pagamentos com relação a produção do filme.
Na seguinte quarta feira,19 de Novembro 10:30 no Hotel Nacional aconteceu um debate sobre o longa São Bernardo, havendo uma exibição do curta, Maioria absoluta que retrata a vida miserável de analfabetos do Brasil.
Uma realidade crua porém uma característica marcante no Brasil.
No debate se reuniram integrantes, atores do filme São Bernardo e 2 filhos de Leon.
Todos se emocionaram ao falar do diretor, falecido há 21 anos.
Othon Bastos protagonista do longa se emociona o tempo todo e declara,
"A nova geração valoriza tanto as novas mídias, se esquece e não valoriza a história."
Ele completa dizendo que o filme está mais atual que quando foi feito.
Renata Figueiredo

Anônimo disse...

Mais uma vez Leon Hirszman
Por Thiago Castro

Chega as lojas a versão cinematográfica do São Bernardo romance homônimo de Graciliano Ramos que foi restaurada e incluída na segunda caixa de DVD do diretor e roteirista Leon Hirszman após trinta e seis anos de seu lançamento.
Fazendo parte desse projeto de restauração e incluso ao DVD estão também os curtas Maioria Absoluta e Cantos de Trabalho, sendo o primeiro influenciado pelo cinema verdade europeu e o segundo e uma trilogia.
E essa caixa de DVDs e a segunda de quatro, a primeira foi lançada em 2007 e nela continha os filmes: Eles não usam Black-Tie, ABC da greve e Pedreira de São Diogo. Nessa segunda estão os filmes: São Bernardo, Maioria Absoluta e Cantos de Trabalho, e ate 2010 serão lançados mais dois DVDs com o restante de sua obra já restaurada.
O Projeto de “restauro digital da obra de Leon Hirszman” e de iniciativa de seus filhos apoiados pelos amigos e curadores responsáveis pelo projeto, Carlos Augusto Callil, Lauro Escorel e Eduardo Escorel. Esse projeto e patrocinado pela Petrobras e apoiado pelo Ministério da Cultura.
A historia de São Bernardo passa-se no interior de Alagoas, mostra diferença de classes e como um homem vindo do povo depois de sua ascensão social despreza o afeto e explora seus iguais.
Paulo Honório, vivido por Othon bastos, homem rígido, ex-caixeiro viajante e agiota através de muito trabalho e torna-se latifundiário, após comprar uma grande propriedade “São Bernardo” um lugar que apesar da prosperidade o tempo parece não passar.
Madalena, interpretada por Isabel Ribeiro, uma mulher simples, mas estudada e única professora de região, com ideais socialistas e pensamentos de igualdade entra as pessoas.
Paulo Honório e Madalena pontuam a diferença de visões abordadas pelo filme, com um casamento acordado que ate então beneficiaria os dois, Paulo Honório com isso ele teria o herdeiro que tanto queria, e Madalena teria uma vida melhor longe da pobreza em que vivera a sua vida toda.
Com a convivência as coisas não saíram como o esperado, Madalena muito delicada, mas sem perder suas convicções não aceitava a maneira que Paulo tratava seus empregados, ele um homem austero e muito controlador chegava e bater em seus homens. Madalena quando não podia intervir sempre os aconselhava sobre seus direitos e isso deixava Paulo irritadíssimo com ela.
Madalena aos poucos acaba contaminando Paulo com suas idéias, e isso mina as bases de Paulo tudo que ele aprendera ate hoje sobre a vida será posto a prova e com o tempo começa-se o notar a sutil mudança que seu personagem sofre.
O que realmente levou o fim da relação dos dois foi o ciúme, coisa que Paulo Honório não tirava de cabeça nem durante a noite, constantemente indagando a Madalena sobre possíveis casos, ela foi sendo humilhada, suprimida e diminuída.
Os acontecimentos que se seguem a partir daí fazem Paulo refletir sobre sua própria condição e como madalena influenciou em sua vida. O mais interessante que o filme e rodo controlado por Othon Bastos na pele de Paulo Honório com uma presença física dominante e uma entonação vocal “over” ela toma o filme pra si.
A estética do filme e fantástica e muito fiel ao livro, mesmo que notadamente vejamos a influencia da direção de Leon nessa que e uma de suas maiores obras-primas.
O filme e de uma homogeneidade incrível, os longos planos estáticos acentuam mais isso, a força que a câmera parada transmitiu as cenas e formidável, se pensarmos que a câmera não se movia muito pela dificuldade de sua locomoção, e que os planos eram longos pela falta de rolos de filme sobressalentes, mesmo assim nada disso importa porque Leon Hirszman incorporou isso a sua direção trans formando essas que seriam dificuldades técnicas em características marcantes em São Bernardo.
Alem da força imagética que o filme traz com sigo, se alia a ele a trilha de Caetano Veloso, com vocais de lamentação uma não musica que expressa à secura do lugar. Esse foi um dos trabalhos mais experimentais de Caetano e essa trilha foi feita especialmente para o filme a pedido de Leon.
O filme foi rodado numa cidadezinha chamada Viçosa no interior de Alagoas, onde Graciliano Ramos viveu por muito tempo e escreveu algumas de suas obras.
La em Viçosa eles viviam como em comunidade e isso ajudou na união do grupo e resultou na unidade da obra, as cenas eram exaustivamente ensaiadas antes de serem gravadas por falta de negativos extra para gravação, umas das coisas relatadas que mais chamam a atenção e que todas as cenas eram gravadas depois de serem lidas diretamente do romance de Graciliano Ramos.
Apesar das boas criticas que o filme recebeu em sua estréia ele não emplacou retido pela censura por sete meses acabou gerando a falência da produtora Saga que Leon era um dos sócios.
O filme alem de boas criticas recebeu também vários prêmios em festivais, um deles foi o Air France de 1973 de melhor filme, diretor (Leon Hirszman), ator (Othon Bastos), atriz (Isabel Ribeiro), alem do Coruja De Ouro de melhor diretor e atriz coadjuvante (Vanda Lacerda). São Bernardo e tido como a mais perfeita criação de Leon, depois de tantos documentários ele vem com um longa baseado em um romance já consagrado de Graciliano Ramos e o transforma no retrato mais verídico de um povo.
Com a chegada da segunda caixa de DVDs as lojas espera-se que as pessoas tenham mais acesso aos grandes filmes nacionais e seus respectivos diretores, acredita-se que com esse relançamento as pessoas se interessarão mais por Leon Hirszman e seus filmes. Tendo em vista que ao lado de Glauber Rocha Leon e o mais importante diretor cinematográfico do chamado cinema novo.

Anônimo disse...

Desculpe a falta de acentuaçao, meu PC ta com virus.
Vlw!!!( seja bonzinho)
Thiago Castro

Anônimo disse...

Mais uma vez, São Bernardo.
Por Roberta Yasuiê


Ao som da orquestra sinfônica do Teatro Nacional, a noite de abertura do 41º festival de Brasília do cinema brasileiro trouxe na noite de 18 de novembro uma novidade para os amantes do cinema: A exibição da cópia restaurada do filme "São Bernardo", de Leon Hirszman (1937-1987).
O filme é baseado na obra São Bernardo, romance de Graciliano Ramos publicado em 1934. O longa-metragem de 1971 conta com o ator Othon Bastos e a atriz Isabel Ribeiro para protagonizar a vida do fazendeiro Paulo Honório. As vitórias e conflitos internos do fazendeiro dão a direção do filme que, curiosamente foi gravado em Viçosa (Algoas) cidade onde Graciliano Ramos viveu por alguns anos.
Resgatando a obra prima do cinema brasileiro e dando vida à São Bernardo, o projeto de restauraração do filme foi uma análise minuciosa das cenas, das luzes e sons com todo o cuidado de armazenar a originalidade do longa. O projeto de restauração é de Carlos Augusto Callil, Lauro Escorel e Eduardo Escorel, que também relembram a vida e obra de Leon.
O DVD do filme já está nas lojas e traz também depoimentos, além dos 111 minutos de uma estória envolvente, vencedora de vários prêmios do cimena. O filme de Leon faz parte do Projeto Restauro Digital, e além de São Bernardo o Box conta com os curtas-metragens Cantos de trabalho e Maioria Absoluta ambos de Leon. Outras obras ainda irão compor os próximos DVDs do projeto de restauração.
o projeto de restauração de filmes de grandes cineastas brasileiros é simplesmente um caminho para manter viva as obras primas que o cinema oferece. Ao assistir um dos maiores sucessos de Leon, "São Bernardo", o espectador se depara com conflitos internos que passam por diferentes extremos do psicologico humano. Leon mostra de forma muito clara o desequilibrio emocional aliado à cobiça e à ambição.


Sinopse:
Filho bastardo, Paulo Honório, obcecado pelo poder, transforma-se num grande proprietário de terras. Até o casamento com Madalena é para ele um negócio a mais. Mas ela reage à sua tirania. A estória acontece em Viçosa- Alagoas. E tudo culmina num dramático desfecho.

Anônimo disse...

O Sertanejo Paulo Honório foi interpretado por Othon Bastos,que foi colocado ao programa”Restauro digital das obras de Leo Hirszman”.Esse grande projeto traz o lançamento do DVD duplo S.Bernardo com os curtas Maioria Absoluta e Cantos de trabalho.
O filme retrata a historia e um homem sem escrúpulos e que ate tira a vida de outras pessoas(inferiores).

A história se passa no interior de Alagoas, onde é focado a diferença de classe, o filme muito é forte assim como o grande conflito de Paulo Honório e quem também faz parte do eleno é a professora Madalena que foi interpretada pela merecidissima atriz Isabel Ribeiro.

A cópia 35mm foi exibida na abertura do 41° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro,onde foi muito bem recebida ao púlico candango.

Enfim o DVD vem trazer um novo olhar ao diretor Leon Hiszman de para seus filmes,e é com essa idéia renovada que Leon atribui sua ajuda com todos.

Filme:SÃO BERNADO
Gênero:DRAMA
Duração:111 min.


RAQUEL DA FONSECA

Nayara disse...

Leon Hiszman repercute no cinema “de novo”

O lançamento do DVD de S. Bernardo, dirigido por Leon Hirszman em 1972, é parte do projeto de restauração das obras do cineasta

Por Nayara Young

O drama do sertanejo Paulo Honório, interpretado por Othon Bastos, entrou no programa “Restauro digital das obras de Leon Hirszman”. O projeto lança o DVD duplo com o filme S. Bernardo e os curtas Maioria Absoluta e Cantos de Trabalho.

A obra de Graciliano Ramos permanece viva na película de Leon com a preocupação em desmistificar os tabus das relações sociais. “Para mim, a adaptação não representou apenas uma simples transposição do universo de Graciliano para o filme. Houve um trabalho criativo meu, das relações objetivas, materiais, de mercado, que encontramos em um processo de filmagem e de produção” afirma Leon para Paulo Emílio em entrevista que permaneceu inédita até 2005 encontrada na íntegra no livro de 30 páginas que acompanha o DVD do cineasta.

O lançamento da cópia 35 mm restaurada ocorreu na abertura do 41° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro no dia 18 de novembro e foi muito bem recebida pelo público brasiliense que conheceu, enfim, a verdadeira versão do filme relançado em DVD pela Vídeo Filmes.

O pai de Maria Hirszman é saudado com esta primorosa homenagem que remete à lembrança do ex-aspirante a engenheiro que largou a trena pela claquete. A iniciativa dos filhos de Hirszman, Maria e João Pedro, comove de espectadores até atores com o relançamento do clássico S. Bernardo que teve a supervisão do fotógrafo e diretor de arte Lauro Escorel.

A primeira caixa de DVD, lançada no final do ano passado, incluiu os filmes Eles Não Usam Black-Tie, ABC da Greve, Ecologia, Megalópolis, Pedreira de São Diogo e o documentário inédito Deixa Que Eu Falo, de Eduardo Escorel.

O restauro das obras de um dos mais ativos militantes do Cinema Novo, movimento que surgiu na segunda metade da década de 1950, conta com o apoio da Cinemateca Brasileira, do Centro Técnico Audiovisual, da Teleimage, entre outros órgãos e prevê o lançamento de mais duas caixas de DVDs até 2010 com outras obras renomadas como A Falecida e Imagens do Inconsciente. Bom filme.


Serviço:

Filme: S. Bernardo
Ano: 1971
Duração: 111 minutos
Roteiro e direção: Leon Hiszman